Os timorenses já votaram para eleger o sucessor de Xanana Gusmão. As urnas de voto encerraram às 16 horas locais (8 da manhã em Lisboa). O acto eleitoral decorreu praticamente sem incidentes. Em muitas mesas de voto os boletins esgotaram, a comissão eleitoral teve de distribuir mais 5000 boletins, mas mesmo assim houve algumas pessoas que não conseguiram votar. A eurodeputada Ana Gomes, chefe da missão de observadores do Parlamento Europeu, considerou que as eleições presidenciais foram uma "demonstração de civismo e fé na democracia" dos timorenses.
Às eleições presidenciais apresentaram-se 8 candidatos. As previsões apontam para que a disputa se decida entre Francisco Guterres (Lu Olo), candidato da Fretilin e presidente do parlamento, e José Ramos-Horta, actual primeiro-ministro que se candidata como independente e conta com o apoio de Xanana Gusmão.
"Confirmei as minhas expectativas de que o povo timorense, mais uma vez, está a dar uma demonstração de civismo, de fé na democracia, porque obviamente é pela consciência de que o seu voto conta e que pode fazer a diferença que as pessoas ali estão", afirmou a eurodeputada Ana Gomes, segundo refere a TSF.
O número de eleitores eram 520 mil, não existem sondagens fiáveis e os resultados definitivos poderão demorar ainda dois ou três dias a conhecer.
Os oito candidatos que se apresentaram a escrutínio foram:
Francisco Guterres, conhecido como Lu Olo, é o actual presidente do Parlamento Nacional e é o candidato da Fretilin, que tem 55 deputados no parlamento. Lu Olo tem 53 anos e nas principais acções de campanha foi acompanhado por Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin e ex-primeiro-ministro.
Avelino Coelho, candidato do Partido Socialista Timorense (PST - um deputado no parlamento), tem 44 anos e afirmou que se candidata para defender a Constituição.
Francisco Xavier do Amaral, candidato da Associação Social Democrática Timorense (ASDT - 6 deputados), tem 70 anos e foi presidente da Fretilin em 1975, tendo sido expulso em 1978.
Manuel Tilman, secretário-geral do partido Kota (2 deputados), tem 60 anos e defende a adesão de Timor-Leste à Commonwealth.
Lúcia Lobato, deputada do Partido Social-Democrata (6 deputados), foi a única mulher que se candidatou, tem 41 anos.
José Ramos-Horta, prémio Nobel da Paz e actual primeiro-ministro, candidata-se como independente e tem o apoio do actual presidente Xanana Gusmão. Tem 58 anos. Do seu programa consta a atribuição de um subsídio anual de dez milhões de dólares a instituições religiosas.
João Carrascalão, candidato da União Democrática Timorense (UDT), tem 62 anos.
Fernando Araújo, presidente do Partido Democrático (7 deputados), tem 44 anos. Afirmou que a Fretilin não deve voltar a governar o país e afirmou-se como o candidato da juventude.