Após quase duas semanas de tensão, os 15 soldados detidos no Irão chegaram na quinta feira ao Reino Unido. As autoridades britânicas anunciaram que vão interrogar os soldados, que reafirmaram, à saída do aeroporto de Teerão terem sido bem tratados e pretenderem voltar para visitar o país. Entretanto, continuam os contactos para a libertação dos cinco funcionários iranianos detidos pelos EUA em Janeiro, no Curdistão, numa operação cuja intenção seria a de capturar altos responsáveis da segurança interna iraniana.
Ainda que as autoridades iranianas neguem que haja qualquer relação, a libertação dos soldados britânicos coincidiu com o anúncio por parte dos EUA que permitirá a representantes iranianos a visita aos cinco funcionários detidos em Janeiro no Curdistão. Também relacionada com a libertação dos britânicos pode estar a libertação, na passada terça-feira de Yalal Sharafi, o segundo secretário da embaixada iraniana em Bagdad, sequestrado a 4 de Fevereiro por homens com o uniforme do exército iraquiano.
O ministro dos negócios estrangeiros iraniano, Hushiar Zibari, assegurou que o seu governo prossegue os esforços para a libertação dos funcionários e confia "em resultados positivos dentro de pouco tempo"
Quando ontem o presidente iraniano, Ahmadinejad, anunciou a libertação dos soldados britânicos detidos no país, afirmou que se tratava de um "presente para o povo britânico", pedindo a Londres que não os punisse por revelarem a verdade ao confessarem que entraram em território iraniano.
O Presidente do Irão teve ainda tempo para condecorar um comandante da Marinha de Guerra iraniana responsável pela detenção dos militares britânicos: "Em nome do grande povo iraniano, quero agradecer à Guarda Costeira, que corajosamente defendeu nossa costa e deteve aqueles que violaram nossas águas territoriais". E lamentou que Londres não tenha tido "coragem suficiente para confessar seu erro sobre a entrada em águas iranianas"
A Grã-Bretanha insiste que os marinheiros estavam em águas iraquianas quando foram capturados a 23 de Março, sustentando que os militares faziam uma inspecção de rotina em águas iraquianas na região do canal de Shatt al Arab quando foram capturados, versão que é contestada pelo Irão.
Ahmadinejad condenou também a atitude da União Europeia (UE), considerando que os 27 Estados-membros tomaram uma atitude apressada quando exigiram a Teerão a libertação imediata e sem limitações dos marinheiros, prometendo tomar "medidas apropriadas" caso os militares não fossem libertados.
Após quase 15 dias de crise, Irão e Reino Unido já davam sinais de que iriam contornar a questão por meio da diplomacia. Nesta quarta-feira, Naigil Shinvald, conselheiro de Tony Blair, conversou por telefone com Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, para discutir a questão, segundo a agência oficial iraniana Irna.