Um relatório agora divulgado pela Amnistia Internacional denuncia o agravamento das condições de vida dos prisioneiros de Guantánamo. A organização de direitos humanos revela que 165 pessoas foram transferidas para novas alas de segurança máxima e que 80% dos reclusos estão sob isolamento. Segundo o documento «Estados Unidos: Cruéis e Desumanos - As Condições de Isolamento no Centro de Detenção de Guantánamo», os detidos passam 22 horas em celas individuais fechadas e sem janelas para o exterior, estando desprovidos praticamente de qualquer contacto humano. Veja em inglês o relatório completo.
Dos 385 reclusos do Campo de detenção de Guantánamo, 80% encontram-se em condições de isolamento. A Amnistia Internacional denuncia a transferência de 165 pessoas para o Campo 6, uma das alas de máxima segurança. Estes detidos encontravam-se anteriormente no campo 4, uma ala que permitia algum convívio, com acesso a algumas actividades recreativas. Neste momento, no Campo 4 restam apenas 35 presos, quando em Maio de 2006 eram 180.
Segundo a Amnistia Internacional, este novo aperto nas condições de segurança começou a desenhar-se logo depois da greve de fome assumida por vários detidos e do "aparente" suicídio de outros três detidos em Junho do ano passado.
A Amnistia Internacional lembra que com excepção do australiano David Hicks, condenado a nove meses de prisão por alegadas ligações a organizações terroristas, nenhum dos detidos foi julgado nem acusado de qualquer crime.
Enquanto Guantánamo não for encerrado e os detidos julgados pelos parâmetros internacionais, algo que a Amnistia reivindica desde há muito, a organização de direitos humanos apela ao Governo dos EUA que dê passos imediatos no sentido de aliviar as condições duras e tortuosas de detenção dos prisioneiros.
A Amnistia reivindica o fim dos isolamentos e das condições de "reduzida estimulação sensorial", e a possibilidade de os detidos terem mais actividades colectivas e contacto com as famílias, através de telefonemas e de visitas. Além disso, pede também a entrada de profissionais médicos independentes e de Organizações de Direitos Humanos nas instalações do campo de Guantánamo.