O aumento do preço do petróleo é um dos efeitos do arrastamento da crise provocada com a captura dos 15 militares a bordo duma embarcação britânica, por alegadamente se encontrarem em águas territoriais iranianas ilegalmente. O barril de Brent foi transacionado hoje a 69 dólares, o preço mais alto dos últimos sete meses e cerca de 35% acima do preço no início do ano. Ontem, o Conselho de Segurança da ONU não permitiu que a estratégia de isolamento de Teerão defendida por Tony Blair seguisse adiante.
As declarações que saíram do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ao fim de quatro horas de reunião, expressam a preocupação com a situação e apelam a uma resolução rápida do conflito. Por vontade de alguns países, como a Rússia, acabaram por ficar de fora as exigências inglesas de libertação imediata dos prisioneiros ou de uma frase que dissesse que os 15 militares foram capturados em águas iraquianas.
Agora as atenções da diplomacia de Londres viram-se para a reunião dos ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia, que se realiza hoje em Bremen, na Alemanha. Javier Solana, o responsável pela política externa da UE, já adoptou ontem o discurso mais duro, apelando à libertação imediata dos presos.
Os Estados Unidos têm mantido uma postura discreta neste processo, mas aparentemente concertada com Londres. A hipótese de trocar os quinze soldados por seis iranianos presos no Iraque já foi ventilada na imprensa, embora os responsáveis norte-americanos digam que por enquanto não é um cenário que esteja em cima da mesa. O que é certo é que os exercícios militares envolvendo porta-aviões norte-americanos no Golfo Pérsico vão prosseguir como previsto.
No centro da disputa está a violação das águas territoriais do Irão. Enquanto o Reino Unido apresenta imagens de satélite em defesa do argumento que o barco se encontrava 3 km dentro das águas sob jurisdição iraquiana, os iranianos contrapoem as análises ao aparelho GPS do barco para defenderem que este já tinha entrado várias vezes nas águas controladas por Teerão.
Enquanto as vias diplomáticas prosseguem o seu caminho, o Irão tem aproveitado a ocasião para fazer alguma propoaganda através dos depoimentos e cartas dos prisioneiros que faz publicar todos os dias. Estes fazem afirmações polémicas, por exemplo a de estarem a ser melhor tratados do que se fossem prisioneiros em Abu Ghraib ou, dirigindo-se à Câmara dos Comuns, apelando à retirada das tropas do Iraque. Estes depoimentos aparentemente coagidos estão a contribuir ainda mais para a impaciência do governo de Tony Blair com esta crise sem fim à vista.
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