O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, ameaçou "entrar numa nova fase" nas relações com o Irão se este país não libertar os 15 marines britânicos detidos na semana passada. A maior força naval americana desde a invasão do Iraque de 2003, incluindo dois porta-aviões, fez hoje exercícios de ataque simulado no Golfo Pérsico, ao largo da costa do Irão. Em Teerão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mohammad Ali Hosseini, disse que os 15 britânicos estão de boa saúde e a ser bem tratados, mas recusou-se a revelar o seu paradeiro.
O comandante Kevin Aandahl, da marinha americana, disse que as manobras da sua frota não são uma resposta à captura dos britânicos, nem têm a intenção de ameaçar o Irão. Mas as palavras de Blair soaram como uma ameaça. Perguntado o que significava “entrar numa nova fase”, Blair respondeu que “teremos que ver, mas eles têm que entender que não podemos ter uma situação em que os nossos militares são capturados quando estavam em águas iraquianas sob mandato da ONU.”
O Irão afirma que os britânicos estavam em águas territoriais do Irão e que os está a interrogar para determinar se a invasão foi “intencional ou não”, antes de decidir o que fazer com eles.
A linha de fronteira entre Iraque e Irão no estreito do Shatt al-Arab é motivo de uma longa disputa.
Há suspeitas de que o Irão poderia usar os detidos como moeda de troca para obter a libertação de cinco iranianos detidos no Iraque sob a acusação de pertencerem à Guarda Revolucionária. Mas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Mehzi Mostafavi, negou essa intenção.