O australiano David Hicks, o primeiro prisioneiro de Guantánamo a ser levado a um tribunal militar especial dos EUA, declarou-se culpado da acusação de ajudar a al Qaeda a combater as tropas americanas no Afeganistão. Durante o processo, Hicks denunciou ter sido sodomizado, espancado e sujeito a injecções forçadas. O reconhecimento da culpa deve permitir que o australiano possa cumprir pena no seu país.
A admissão de culpa ocorreu no primeiro dia de sessão do tribunal militar. Hicks está preso em Guantánamo há mais de cinco anos, e a sua decisão deve permitir que a pena seja mais suave, já que o juiz ordenou que a acusação e a defesa tentem chegar a um acordo. "Este é o primeiro passo para o regresso de David à Austrália", disse um dos seus advogados australianos, David McLeod.
Hicks, que deixou crescer o cabelo até o peito, parecia muito mais velho que da última fez que foi visto, em 2004. O pai, Terry Hicks e a irmã Stephanie foram autorizados a conversar com ele e disseram que ele mudou muito em três anos.
Ainda assim, a decisão de declarar-se culpado foi inesperada.
Organizações de direitos humanos têm denunciado que os tribunais militares de Guantánamo foram criados para garantir condenações e permitir que sejam admitidas provas obtidas sob tortura.