New York Times critica Bush por não ter plano de retirada do Iraque

26 de julho 2007 - 17:21
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Tropas americanas no IraqueO influente jornal "New York Times", no seu editorial de quarta-feira 25 de Julho, volta a criticar Bush (já o fizera no início do mês) por não ter um plano de retirada das tropas norte-americanas do Iraque. O editorial critica o mais recente plano de guerra e o último discurso de Bush, afirmando: "Prolongar a guerra por mais dois anos não resultará na vitória. Irá significar mais vidas perdidas, mais danos para a posição internacional da América e menos recursos para o verdadeiro combate aos terroristas". O editorial termina por um apelo ao veto maioritário do Congresso aos planos da administração.

Leia abaixo a tradução do editorial Sem estratégia de saída.

Sem Estratégia de Saída

Ao povo Americano só resta uma pergunta acerca do Iraque: Qual é o plano do Presidente Bush para uma retirada calendarizada e responsável? Essa é a pré-condição essencial para salvaguardar os interesses Americanos no Médio Oriente e para apostar num combate mais efectivo contra a Al Qaeda nas suas áreas base no Paquistão e no Afeganistão. E é essa exactamente a questão à qual o Sr. Bush, os seus melhores generais e diplomatas, teimosa e prejudicialmente, se recusam a responder.

Ontem descobriram-se mais dois exemplos frustrantes e embaraçosos desta recusa. Um foi um novo plano de guerra desenhado, pelo comandante militar chefe e pelo chefe da diplomacia americanos em Bagdad, que prevê que as tropas Americanas fiquem a combater no Iraque até 2009. O outro foi mais um dos discursos do Presidente Bush que afirmou que o Iraque era a frente para manter ou morrer na guerra contra o terrorismo - em vez de uma plataforma de manifestação para os extremistas e um escoador sem-fim de recursos, a América precisa de combater aquele combate.

O plano de guerra desenhado pelo Gen. David Petraeus e pelo Embaixador Ryan Crocker assume simplesmente que uma presença de grande escala de militares dos Estados Unidos irá continuar durante pelo menos mais dois anos.

Lá se vão as ladainhas nervosas acerca de um envio adicional de tropas por um prazo relativamente curto. O plano ignora o facto de que o Exército voluntário não pode sustentar uma escalada prolongada sem percas penosas em qualidade, prontidão e moral. De forma ainda mais irrealista, o plano assume que, com mais dois anos de cheque em branco Americano, os políticos Iraquianos irão de algum modo decidir assumir a responsabilidade pelo seu futuro político - algo que se recusaram a fazer nos últimos quatro anos.

O general Petraeus e o embaixador Crocker podem pensar que têm pouca escolha, mas projectam as políticas defeituosas da administração nas suas conclusões lógicas, ou ilógicas. O Sr. Bush tem uma escolha e uma clara obrigação de reavaliar a estratégia quando tudo, excepto as suas próprias ilusões, lhe indica que está a falhar. Em vez disso, ele falou ontem como se o mais recente relatório nacional de informações não tivesse anunciado o reagrupamento da liderança de topo da Al Qaeda e o seu reaparecimento nos antigos pontos fortes ao longo da fronteira Paquistão-Afeganistão. Ou como se a última avaliação desolada dos falhanços político e económico do governo Iraquiano nunca tivesse sido divulgada.

O Sr. Bush não propôs nenhum plano novo realista para um combate mais eficaz à Al Qaeda no seu centro estratégico, nem para sair da trágica desventura no Iraque. Em vez disso ofereceu os argumentos familiares, simplistas e enganadores que já tinha usado para arrastar o país para esta guerra desastrosa.

Prolongar a guerra por mais dois anos não resultará na vitória. Irá significar mais vidas perdidas, mais danos para a posição internacional da América e menos recursos para o verdadeiro combate aos terroristas. Se os conselheiros do Sr. Bush não lho podem dizer, o Congresso terá de o fazer - com um veto-prova maioritário.