Venezuela: Discurso marcante do general Baduel, ex-ministro da Defesa

29 de julho 2007 - 2:56
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Hugo Chávez e Raúl BaduelNo dia 18 de Julho, o ministro da Defesa da Venezuela general Raul Baduel foi substituído pelo general Gustavo Briceño. Na tomada de posse do novo ministro, o general Baduel pronunciou um discurso que tem vindo a provocar acesa polémica. O jornal El Pais de Espanha, que tem multiplicado a publicação de artigos críticos de Chávez e do actual governo da Venezuela, afirma que o discurso de Baduel gerou uma acesa polémica entre "radicais e pragmáticos" nos apoiantes de Chávez. Para muitos desses apoiantes, o El Pais, e outros jornais, procuram "semear a discórdia" e "inventar dissidências".

A verdade é que o discurso do general Baduel, que salvou Chávez no golpe de Estado de 2002, é muito diferente, no conteúdo e no tom, quer dos discursos do presidente da Venezuela, quer das intervenções e artigos dos seus principais colaboradores.

O general Raul Baduel tem 52 anos e era o chefe de um batalhão de pára-quedistas, quando a sua intervenção, em defesa de Hugo Chávez, foi decisiva para salvar o presidente e derrotar o golpe de Estado de Abril de 2002.

No seu discurso de despedida de ministro da Defesa, o general Baduel cita, entre outros, o presidente Chávez, Marx, o Evangelho, o papa João Paulo II e aborda significativamente a história soviética.

Baduel começa por afirmar que o apelo de Chávez a construir o socialismo do século XXI, "não tem um significado uniforme e homogéneo" e "implica a necessidade imperiosa e urgente de formalizar um modelo teórico próprio e autóctone", que "nem existe, nem foi formulado", gerando incerteza em alguns grupos sociais. O general concorda com ‘inventar' o socialismo do século XXI, mas, alerta, "não de maneira desordenada e caótica".

Debruçando-se depois sobre a experiência do ‘socialismo real', salienta "o inconveniente que seria repetir os erros cometidos nos países do chamado ‘socialismo realmente existente', entre os quais, a extinta União Soviética" e conclui que, do ponto de vista político, o "nosso modelo deve ser profundamente democrático".

Baduel refere a seguir os "erros de índole económica" da experiência do ‘socialismo real', sublinhando "a insuficiente criação de riqueza", debruça-se depois sobre a história soviética, nomeadamente sobre o período de 1917 a 1927, para concluir que: "antes de repartir a riqueza é preciso produzi-la. Não se pode repartir algo que não existe". O ex-ministro da Defesa sublinha enfaticamente que o modelo socialista deve fazer com os venezuelanos sejam "mais produtivos".

Raul Baduel defende ainda que o modelo socialista da Venezuela "deve romper com o mau costume do passado de ensinar ao povo direitos, mas não deveres". O general termina abordando o objectivo e as missões das forças armadas e pedindo a bênção a Deus, tal como havia feito no início do seu discurso.

Para alguns analistas venezuelanos, nomeadamente da oposição, Baduel não só expressou o que pensam os generais mas também resumiu os sentimentos dos quadros médios das forças armadas.

Pode aceder ao discurso do general Raul Baduel na íntegra clicando neste link. Os discursos do general Baduel e  do novo ministro da Defesa estão disponíveis no site da Agência Bolivariana de Notícias