Um autarca queniano, da cidade de Nairobi, denunciou hoje no parlamento europeu que no Quénia a água é mais cara do que a Coca-Cola. E acrescentou que, apesar de o país estar situado junto ao maior lago do mundo (lago Vitória) e perto do Rio Nilo, a maior parte da população não tem dinheiro para comprar nem a Coca-Cola, nem a água. O autarca de Nairobi perguntou-se sobre o que terá sido feito de errado para que «ter água no Quénia seja hoje um privilégio e não um direito humano básico». No Mundo, são cerca de 1100 milhões as pessoas que não têm acesso a água potável.
O jornal El País noticia que o Vice-presidente da Câmara Municipal de Nairobi, Waititu Ndungu, denunciou no parlamento europeu que no Quénia a Coca-Cola é mais barata do que a água.
A revelação do autarca de Nairobi foi feita perante os 600 participantes na primeira Assembleia Mundial dos Representantes Eleitos e Cidadãos pela Água (AMECE) no Parlamento Europeu. A este evento assistem autoridades, peritos e representantes da sociedade civil de mais de 80 países.
O objectivo desta Assembleia é debater e apresentar propostas para melhorar o acesso à água a mais de 1100 milhões de pessoas que dela carecem, lutar para que a água seja considerada um direito fundamental, e equacionar formas de travar o seu uso comercial por empresas privadas.
Segundo dados do Relatório Sobre Desenvolvimento Humano (2006), «existem grandes disparidades nos preços pagos pela água», sendo que quanto maior é o nível de pobreza mais cara é a água potável. Enquanto nos lugares mais pobres de El Salvador, Jamaica e Nicarágua, as pessoas gastam cerca de 10% dos seus salários em água, no Reino Unido, dedicar mais do que 3% do salário neste bem essencial é considerado um sinal de pobreza.