Jornalistas, professores, funcionários, directores de escola, e professores universitários nascidos antes de 1972 vão ser obrigados a revelar se alguma vez colaboraram com o regime comunista que vigorou na Polónia até 1989. Estas são as consequências da Lei impulsionada pelo governo de extrema-direita, que pretende cruzar esta informação com os arquivos da antiga polícia política. Quem se recusar a responder ou mentir, ficará inibido de exercer a sua profissão durante 10 anos.
Esta lei, aprovada hoje, obriga centenas de milhares de polacos a responder à seguinte questão: «Colaborou secretamente e conscientemente com os serviços de segurança comunistas?». Após a resposta, o Instituto da Memória Nacional - organismo ao serviço da depuração ideológica anticomunista e cuja missão é também expulsar da administração pública todos os que fizeram parte do antigo sistema socialista - confere a mesma com os dados dos arquivos da antiga polícia política, punindo duramente quem mentir ou se recusar a responder. Uma das campanhas desenvolvidas por este sinistro «Instituto da Memória» é a tentativa de eliminar todas as referências às brigadas polacas que combateram ao lado dos Republicanos na Guerra Civil espanhola, apelidando de «traidores» e «criminosos» mais de 2000 polacos.
Ironicamente, muitos activistas pró-democracia podem sofrer as consequências desta lei. Por exemplo, Andrzev Krawczyk foi detido em Varsóvia em 1982 com folhetos contra o regime. Na prisão, obrigaram-no a assinar um documento de cooperação com a polícia secreta, mas depois arrependeu-se e assegura que nunca colaborou. Agora é um alto funcionário da Administração Pública e terá que apresentar o certificado. "Uma lei anticomunista castiga-me pelo que fiz em favor da democracia durante 25 anos" afirmou Krawczyk, que já teve que se demitir de subsecretário de estado do governo, no mês passado, por acusações de espionagem.
Os polacos esperam agora a decisão do tribunal constitucional e alguns deles tencionam recorrer ao tribunal europeu dos direitos humanos.
O governo polaco de extrema-direita, liderado pelos irmãos Lech y Jaroslaw Kaczynski (Presidente e Primeiro Ministro) tem feito recuar a Polónia a tempos medievais no que respeita aos direitos das mulheres, à atitude em relação à pena de morte e à influência da hierarquia da Igreja no poder político.
O Governo pretende criminalizar o aborto mesmo em caso de violação e perigo de vida para a mulher (clique aqui para ver notícia do Esquerda.net) e acabou com as creches do antigo sistema socialista remetendo a mulher para o papel de ama e dona de casa. A situação chegou ao ponto de um grupo de deputados da área do governo apresentarem uma proposta para que Jesus Cristo fosse nomeado "Rei dos polacos".