Bush vai encontrar-se com Felipe Calderón, presidente do México, em Mérida na província do Yucatan.
A cidade está em estado de sítio. Áreas centrais foram completamente isoladas, a polícia estatal do Yucatan foi desarmada por exigência dos norte-americanos, três mil agentes dos dois países protegem o presidente Bush, que tem ainda 300 franco-atiradores americanos cobrindo os seus passos, 15 aviões e helicópteros dos EUA vigiando o espaço aéreo, várias embarcações na vigilância do mar, incluindo até um porta-aviões.
Apesar desta demonstração de força têm havido manifestações de protesto, que se repetirão 3ª e 4ª feiras, enquanto Bush estiver em Mérida. Em vídeo podem ver-se protestos antes da visita.
George Bush chega 2ª feira às 21.50h (hora local, 3.50h de 3ª feira na hora de Lisboa) a Mérida, na mesma noite chega também o seu homólogo mexicano Felipe Calderón. Passarão a 3ª feira juntos e terão um último encontro na 4ª feira, quando darão também uma conferência de imprensa.
Bush e Calderón vão instalar-se em diferentes hotéis de Mérida, numa zona cercada e protegida por um bloqueio por satélite que impede as comunicações por telefone móvel ou internet sem fios.
Na 3ª feira encontram-se em Temozón, na propriedade de Roberto Hernández (que o jornal local Por Esto! acusa de narcotráfico), e visitarão ruínas arqueológicas. Na 4ª feira o seu encontro será em Xcanatún. Os 172 habitantes de Temozón, todos da etnia maia, para além de altamente vigiados, não podem sair de casa depois das 21h. Alguns dos habitantes apresentaram queixa à Comissão de Direitos Humanos do estado do Yucatán. Em Xcanatún, fica situado um antigo e luxuoso hotel onde os presidentes se encontrarão, a população local, cerca de duas mil pessoas, não pôde usar a energia eléctrica pelo menos durante a noite de Domingo, para além de altamente vigiadas, com acessos restringidos e caminhos cortados. Nos dois locais e também na zona hoteleira de Mérida, as escolas fecharam e o estádio foi transformado em heliporto.
Bush e Calderón irão debater migração, luta contra o crime organizado e o narcotráfico e a reforma do conselho de segurança da ONU.
Os deputados Luís Sanchez, do PRD, e Samuel Aguilar, do PRI, consideraram o desarmamento da polícia estatal de Yucatan como uma clara “violação da soberania nacional”, censuraram a submissão de Calderón e prometeram levantar o assunto no parlamento.
Escritores mexicanos do estado do Yucatan subscreveram um protesto contra a visita de Bush, criticando a sua política belicista, o não cumprimento do Protocolo de Quioto e a intervenção dos EUA no Iraque, pronunciando-se ainda contra a repressão das manifestações e fazendo um apelo ao governo mexicano para que não hipoteque o bem estar das gerações presentes e futuras num apoio a forças que espezinham a “dignidade dos homens e das mulheres que lutam por um mundo melhor”.
Todos os dias têm existido protestos e estão convocadas manifestações para terça e quarta feira na cidade de Mérida.
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