Manifestações convocadas por sindicatos, partidos políticos, movimentos sociais e grupos ambientalistas, antecederam a chegada de Bush ao Brasil, a primeira escala do seu périplo pela América Latina. Em S.Paulo, mais de 10.000 manifestantes contestaram a política «assassina» do presidente dos EUA, exigindo-lhe que «deixe os povos pobres em paz». No esquema de segurança especial para a visita do presidente norte-americano, são utilizados cerca de 4.000 polícias e soldados das Forças Armadas, numa mobilização nunca antes vista em São Paulo.
O maior protesto de recepção a Bush ocorreu em S.Paulo, paralisando a Avenida Paulista por algumas horas. Os manifestantes entoaram slogans contra a falta de política ambiental dos EUA, a guerra do Iraque e o imperialismo económico.
Os manifestantes exigiram também respeito pelos direitos da mulher, exibindo faixas onde se lia: «Hoje é dia de luta da mulher», «Bush não deveria estar aqui», «Pelas mulheres do Iraque», «Fora Bush» e «Bush assassino». Francisco Alves, do Movimento dos Sem-Terra, foi peremptório: Nós até gostávamos que ele nos ajudasse a aumentar a produção de biocombustível, mas Bush quer é vampirizar esse nosso património para afrontar Hugo Chavez».
A manifestação foi organizada por entidades ligadas à Igreja Católica, pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, vinculada ao Fórum Social Mundial, partidos políticos e Marcha Mundial das Mulheres.
"Viemos vestidos de vermelho, para mostrar o sangue que está sendo derramado em todo o mundo, por conta da política homicida do império americano", disse um dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Pelo menos seis pessoas ficaram feridas na sequência confrontos com a polícia e cerca de Entre os ligeiramente feridos estão quatro manifestantes, um polícia e um fotógrafo.
Segundo a polícia, devido ao protesto contra o presidente George W. Bush, foi reforçada a segurança nas lanchonetes da rede norte-americana McDonalds e de diversos bancos estrangeiros na cidade.
A visita de Bush a S.Paulo obrigou a um esquema especial de segurança, tendo sido inclusivamente reforçada a segurança em redor dos estabelecimentos da Mc Donalds e de vários bancos estrangeiros. As autoridades brasileiras isolaram uma extensa região de 26km, nos arredores do hotel Hilton Morumbi, onde Bush ficou hospedado, e onde se reúne com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas a manifestação de S.Paulo não foi a única realizada em protesto contra a breve visita do presidente dos EUA ao Brasil.
A organização ambientalista Greenpeace denunciou a suposta falta de interesse, tanto de Bush como de Lula, em adoptar medidas para combater o aquecimento global.
Disfarçados de animais, os "refugiados climáticos" acusaram os Estados Unidos e o Brasil de serem o primeiro e o quarto, respectivamente, na lista dos países que mais emitem gases poluentes.
Em Porto Alegre, cerca de 1,3 mil estudantes, sindicalistas e militantes marcharam, na manhã de ontem, com enormes cartazes com a mesma mensagem: "Fora Bush!".
A deslocação de George Bush à América Latina, iniciada esta quinta-feira em São Paulo, inclui ainda visitas à Colômbia, Guatemala e México, com término no dia 13.