Dia da mulher: Invasões e manifestações no Brasil

07 de março 2007 - 20:33
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Ocupação das Sem-TerraMais de 3600 mulheres participaram em ocupações de terras, cortes de estradas e acampamentos em cidades, no Brasil. As acções, promovidas pela Via Campesina e pelo Movimento dos Sem-Terra, têm como objectivo assinalar o dia internacional da mulher e protestar contra o agro-negócio dos eucaliptos, o «deserto verde» que apenas dá lucro às grandes empresas. Hoje, são esperadas mais de 10 000 manifestantes em S.Paulo, sob o lema "Feministas em luta para mudar o mundo: por igualdade, autonomia e liberdade".

 

Só no Rio Grande do Sul foram cerca de 1300 as mulheres que ocuparam as terras de quatro fábricas de celulose (duas brasileiras, uma dos EUA e outra finlandesa) numa jornada de protestos para assinalar o dia internacional da mulher. As ocupantes contestam também as monoculturas de eucaliptos (a que estas empresas se dedicam na totalidade) responsáveis pela degradação da terra, falta de água, e utilização de pouca mão-de-obra.

Segundo a Agência Carta Maior, ao tomar conhecimento das ocupações, o subcomandante da Brigada Militar, tenente-coronel Paulo Mendes, prometeu agir com rigor contra as manifestantes, "sem diferença de tratamento".

De acordo com o MST, as empresas Votorantim Aracruz, Stora Enso e Boise têm juntas cerca de 200.000 hectares no Rio Grande do Sul, área que daria para a instalação de mais de 8000 famílias com uma eventual reforma agrária.

«A jornada tem como meta denunciar a expansão do "deserto verde" no Estado, que só dá lucro para as empresas», disse Tereza Souza (coordenadora de uma das invasões) ao jornal Folha de S.Paulo

Estas ocupações pretendem pressionar o Governo para que inclua parte das terras dedicadas ao monocultivo de eucaliptos nos programas de reforma agrária. «Diferentes estudos comprovam que a agricultura familiar está a ser destruída onde avança o deserto verde e que as primeiras afectadas são as mulheres, que trabalham com a produção de alimentos e a criação de pequenos animais» esclareceu a Via Campesina em comunicado.



Como alternativa a esse tipo de negócio, as mulheres da Via Campesina defendem a reforma agrária, agricultura camponesa e o princípio da soberania alimentar, que prioriza a produção de alimentos sobre o plantio voltado exclusivamente para a exportação.

O Dia Internacional da Mulher será marcado por manifestações em vários Estados do Brasil. Com o lema "Feministas em luta para mudar o mundo: por igualdade, autonomia e liberdade", os movimentos sociais pretendem juntar cerca de 10 mil mulheres em São Paulo, no dia 8.

As manifestações pretendem alertar para o facto de, actualmente, apenas 11 empresas (Bunge, Cargill, Dreyfus, Conagra, IBP, Nestlé e Unilever, entre elas) controlem a produção e comercialização de grãos, carnes, leite e outros alimentos. Como alternativa a esse modelo, os movimentos sociais defendem a soberania alimentar, "que defende a autonomia dos povos para decidir sobre as formas de produção de alimentos e agricultura que melhor convier à realidade nacional e local".



Além desse tema, pretendem discutir outras questões, tais como a mercantilização e "coisificação" do corpo e da vida das mulheres e a necessidade da ampliação de direitos sociais. A coincidência da data com a vista do presidente dos EUA, George W. Bush, ao Brasil, também será marcada por manifestações contra a guerra, o imperialismo e o neoliberalismo.

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