Durante esta semana, cerca de 1000 activistas e peritos de 30 países estão reunidos no Equador para concertar acções e estratégias pela abolição das mais de mil bases militares existentes em todo o mundo, das quais 737 pertencem aos Estados Unidos. A activista Lina Cahuasquí descreve a rede internacional recém criada como um «espaço aberto e democrático, ligado às lutas permanentes dos movimentos sociais, por um sistema livre de militarismo, baseado no respeito, igualdade, justiça e paz».
A activista declarou à IPSNews que 737 das 1000 bases militares existentes no Mundo pertencem aos Estados Unidos. Rússia, China, Reino Unido e Itália são outros países que contribuem para este elevado número. «E isto sem contar com as bases militares secretas, como as quatro dos EUA que estão no Iraque», acrescentou Lina Cahuasquí.
Segundo dados divulgados na Conferência, os EUA não têm bases militares apenas nos países em desenvolvimento: «há 81 bases americanas na Alemanha e 37 no Japão. Na América Latina há 17 bases dos EUA, localizadas na Colômbia, Perú, El Salvador, Honduras, Equador e também na Baía de Guantánamo» (clique no mapa seguinte)
Esta é a primeira Conferência Internacional dedicada a este tema. Começou na segunda-feira e termina na sexta, tendo como um dos objectivos analisar o impacto das bases militares estrangeiras e as lutas das populações locais contra a sua existência.
Amanhã, dia internacional da mulher, uma caravana intitulada «Mulheres pela Paz» vai viajar da capital do Equador ao porto de Manta, onde está localizada a maior base militar dos EUA na América Latina. Ao contrário do que fez Prodi em Itália (em relação à base Americana de Vicenza), o novo presidente do Equador, Rafael Correa, já anunciou que não vai renovar a autorização para a continuação da base militar de Manta, que cessa em Dezembro de 2009. «Estamos satisfeitos com a posição do governo do Equador de fechar a base de Mantra, mas também preocupados com a pressão que está a ser exercida pelo governo Americano para reverter essa decisão» declarou Lina Cahuasquí
Também presentes na conferência estiveram activistas das Filipinas que lembraram a «importância da solidariedade internacional para o sucesso alcançado na luta contra as bases americanas nas Filipinas, que durante mais de 100 anos foram usadas para violar direitos e humanos e atentar contra a democracia»
As consequências negativas para o ambiente também foram denunciadas: «Em Porto Rico, a zona envolvente foi contaminada com metais pesados, químicos, desperdícios nucleares como urânio empobrecido», esclareceu Cahuasquí.
Uma activista holandesa rematou: «Se não podemos fechar todas as bases, podemos ao menos enfraquecer a rede militar americana que lhes permite atacar quando e onde querem».
