Protestos aguardam Bush no Brasil

07 de março 2007 - 11:51
PARTILHAR

fora-bushGrandes mobilizações aguardam o presidente George W. Bush amanhã no Brasil, na primeira etapa da viagem à América Latina que o levará a visitar também Uruguai, Colômbia, Guatemala e México. A maior mobilização ocorre em São Paulo. A juventude promete mostrar repúdio a Bush também no dia 9, apesar dos esforços da polícia para que o presidente americano não ouça e veja nada. 

Por Verena Glass, Carta Maior

Enfraquecido no próprio país após a derrota eleitoral dos republicanos nas eleições de Novembro passado e as catastróficas campanhas militares no Oriente Médio, o presidente dos EUA, George W. Bush, volta-se agora para a América Latina com um apelo "ambientalista" - a promoção do etanol - e "social" - a julgar pelo seu discurso desta segunda na Câmara de Comércio Hispânico ("Quero falar de outra prioridade para o nosso país, que é ajudar os vizinhos do Sul a ter uma vida melhor e mais produtiva. (...) Apesar dos avanços, dezenas de milhões no nosso hemisfério continuam encalhados na pobreza e excluídos das promessas do novo século. Minha mensagem para estes ‘trabajadores y campesinos' é que vocês têm um amigo nos EUA. Nós nos importamos com os seus problemas").

À repentina doçura de Bush, a resposta do "Brasil das ruas", que deve ser mantido meticulosamente longe do presidente americano pelas forças de segurança brasileiras e de seu país, será uma apoteótica manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, garantem movimentos sociais e partidos políticos.

"O que vem fazer aqui esse carniceiro do povo iraquiano? Ele organiza um giro pelo Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México buscando apoio para prosseguir a sua política, como a vergonhosa ocupação da ONU no Haiti (com o comando das tropas brasileiras) que esmaga a soberania da nação e assassina o povo haitiano. Bush vem atrás de acordos comerciais para continuar alimentando o imperialismo estadunidense.

Depois da derrota eleitoral, Bush agora quer um consenso", diz o documento da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), principal organizadora da passeata que, integrada às comemorações pelo dia internacional da mulher neste 8 de março, se concentra às 15h da Praça Osvaldo Cruz e segue até o vão livre do Masp, onde devem ocorrer uma série de manifestações políticas e culturais.

A manifestação contra Bush no dia 8 em São Paulo, que, segundo os organizadores, deve reunir cerca de 20 mil pessoas, unificou um leque amplo de organizações e partido políticos. Além dos movimentos que constituem a CMS - MST, CUT, UNE e demais entidades estudantis, Conlutas, Marcha Mundial de Mulheres, Confederação Nacional das Associações de Moradia, Central de Movimentos Populares e demais movimentos de moradia, entre outros, PSTU, PSOL, PCB, PC do B e PT tiraram apoio oficial ao ato e estimularam seus filiados a participar.

"A posição do PT é de apoiar as manifestações e orientar os filiados a participar. A política do [presidente] Bush é nociva para a América Latina e para o Brasil. Da última vez em que esteve no Brasil, em 2005, a posição do partido foi essa", afirma Valter Pomar, secretário de relação internacionais do PT.

Também o PC do B adoptou oficialmente a posição de repúdio ao presidente dos EUA e de participação das manifestações. Segundo Altamiro Borges, secretário de comunicação do partido, "resolvemos participar por tudo que Bush representa: a política pautada no imperialismo, o belicismo, as torturas no Iraque, por ser o responsável pelo assassinato de 700 mil pessoas naquele país, por não assinar o Tratado de Quioto (contra o aquecimento global), etc".

Sobre as negociações do governo brasileiro com Bush, Borges acredita que é função do Estado negociar com todos os países. "A negociação com os EUA é uma pauta comercial", defende, mas acha que uma possível tentativa do americano de discutir a Venezuela é descabida. "[O presidente venezuelano Hugo] Chávez tem mais legitimidade do que Bush, que ganhou uma eleição fraudada em 2000. Mas mesmo no aspecto económico o Brasil deve ser cauteloso, uma vez que os EUA são muito firmes na defesa de sua economia".

 

Mapa das mobilizações

Além da manifestação na Paulista, entidades estudantis, sindicais e juventudes partidárias devem promover manifestações também no dia 9. A proposta é concentrar de manhã no monumento às Bandeiras, na Avenida República do Líbano, e formar um "Comando de Caça" para localizar o presidente. Se isto for possível, a idéia é seguir em passeata para onde Bush estiver, ou então para o consulado americano (Rua Henri Dunant, 500, Chácara Santo Antônio).

Participantes da Assembleia Popular, evento que reúne em São Paulo movimentos sociais de todo o estado entre 9 e 11, também devem fazer uma manifestação no dia 9, promovendo um almoço de bananas e marmitas num Mc Donalds do centro.

Ainda no dia 8, vários movimentos sociais de outros estados devem incluir à pauta da comemoração do dia da mulher os protestos à visita de Bush.

Em Fortaleza, a CMS participa da actividade do 8 de Março pela manhã com uma ala "Fora Bush", e no período da tarde realizará a actividade da CMS, em frente ao Macdonald (Rua: Barão do Rio Branco), onde distribuirá tapioca.

Em Salvador, haverá uma manifestação "8 de Março-Fora Bush às 14h, no Campo Grande.

Em Goiânia, as actividades do dia da mulher acontecerão das 09 às 12h na Praça do Bandeirante, e às 20h a CMS promove um ato "Fora Bush" na Praça Universitária

Campo Grande realiza um ato "Mulheres pela paz. Fora Bush!" na praça Ari Coelho - centro de Campo Grande às 9h00.

Porto Alegre prepara uma caminhada do 8 de Março com concentração no Largo Glênio Peres das 09 às 11h, e depois um ato político.

Termos relacionados: Internacional