"Tanto o presidente Lech Kaczynski como o líder da Plataforma Cívica (PO), Donald Tusk, consideram que, na situação actual, as eleições no Outono são inevitáveis", declarou um porta-voz da presidência polaca, depois de uma reunião entre os dois políticos que durou quatro horas.
As eleições antecipadas surgem perante o desmoronar do governo, mergulhado na corrupção e enfrentando crescentes protestos sociais. O actual governo, formado por uma coligação de três partidos de extrema direita, é liderado por Jaroslaw Kaczynski, irmão gémeo do presidente e líder do partido "Direito e Justiça" (PIS),.
Na terça-feira, o ministro do Interior, Janusz Kaczmarek, foi demitido pelo primeiro ministro por alegada falta de lealdade para com o chefe de Governo, depois de ter avisado o antigo ministro da Agricultura Andrzej Lepper, de que estaria em curso uma investigação sobre alegada corrupção.
Andrzej Lepper, também vice-presidente do governo e líder do "Autodefesa", partido que garantia a maioria parlamentar ao governo de coligação, foi demitido em Julho passado, depois de ter sido implicado num escândalo de corrupção.
As próximas eleições legislativas estavam previstas para o Outono de 2009, mas a coligação de extrema direita, que queria fazer uma "revolução moral conservadora", entrou em profunda crise perante os escândalos de corrupção e os crescentes protestos sociais.
A declaração do porta-voz do presidente parece apontar para um entendimento com o partido Plataforma Cívica, conservador de direita liberal e membro do PPE (Partido Popular Europeu), para que seja adoptada no parlamento uma moção de autodissolução, o que exige uma maioria de dois terços.
As sondagens são actualmente muito favoráveis à Plataforma Cívica e apontam para a derrota do PIS e para que os seus aliados na coligação governamental, Autodefesa e Liga das Famílias Polacas, nem sequer alcancem os 5% obrigatórios para eleger deputados na Polónia.
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