A comissão de Controlo do Partido da Refundação Comunista (partido que faz parte da coligação governamental e cujo presidente, Bertinotti, é igualmente presidente do parlamento italiano), decidiu expulsar o senador Franco Turigliatto, pelo facto deste, na semana passada, não ter votado a favor da resolução sobre política externa que esteve na origem da demissão de Prodi. A decisão de expulsão foi tomada por 14 votos a favor e 6 contra.
Na passada semana Prodi demitiu-se devido ao chumbo de uma resolução sobre política externa que sustentava a presença de 1900 militares italianos no Afeganistão. Na altura dois senadores de esquerda, Fernando Rossi (do Partido dos Comunistas Italianos) e Franco Turigliatto (do Partido da Refundação Comunista - PRC) recusaram-se a votar a favor da moção.
Logo no dia seguinte, Paolo Ferrero, ministro interino das políticas sociais e do PRC, considerou «inevitável» a expulsão de Turigliato, classificando-a como uma questão de «higiene política». Turigliato, que pertence à ala trotskista do PRC, afirmou que não se arrependia.
Tanto Rossi como Turigliatto contaram que receberam centenas de mensagens, e-mails e telefonemas nos quais são insultados pela sua recusa em apoiar o Governo. Entretanto, várias personalidades internacionais solidarizaram-se com Turigliatto exprimindo a sua «vontade de construir com convicções um movimento pela paz, sem “ses” nem “mas”»
Franco Turigliatto, numa declaração há dois dias e que confirmava a sua intenção de se demitir do Senado, afirmou que «o governo é o primeiro responsável pela crise política». E acrescentou: «Ao recusar-me a votar a favor da política externa do governo, nunca tive a intenção de efectuar um gesto político que provocasse a crise governamental. A minha decisão foi um gesto de responsabilidade de acordo com as minhas convicções e de todos aqueles que como eu não se revêem de modo nenhum na política externa deste governo. Esta política continua a fazer a guerra, sustenta uma concepção neo-liberal para a Europa e considera que enviar soldados por esse mundo afora é uma forma de contar nos fóruns da política internacional.»