A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) entregou ontem um relatório ao Conselho de Segurança da ONU denunciando o Irão por desafiar o ultimato da ONU que pretendia o congelamento do seu programa nuclear. Este relatório foi entendido como um novo passo na escalada de tensão entre Washington e Teerão, podendo levar à aplicação de sanções ou mesmo a uma intervenção militar. Mas algumas fontes diplomáticas citadas pelo Guardian afirmam que se está a passar exactamente o mesmo que aconteceu no Iraque: as informações que servem de base ao relatório pura e simplesmente não são credíveis.
A suspeita de que o Irão está a desenvolver armas nucleares às escondidas dos inspectores internacionais foi alimentada por informações da CIA e outras agências, que referenciaram locais concretos que serviriam de base a essas actividades. Mas todas as pistas que foram investigadas pela AIEA resultaram em nada, inclusive as visitas surpresa aos locais militares referenciados não encontraram nenhum sinal que confirmasse a suspeita. Membros da agência internacional dizem que já não seguem logo as pistas que a CIA lhes dá, passando-as antes por alguns testes de credibilidade.
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad reagiu à publicação do relatório da AIEA, reafirmando que o país defenderá até ao fim o seu direito à energia nuclear. Ahmadinejad sempre negou que o Irão estivesse a usar o seu programa nuclear para produzir armamento, insistindo em que o objectivo do programa é o de alimentar centrais nucleares com fins civis, como a que está a construir em parceria com a Rússia.