Prodi impõe doze condições à coligação de governo

23 de fevereiro 2007 - 3:21
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Romano ProdiO primeiro-ministro italiano demissionário, Romano Prodi, encontrou-se ontem com as forças políticas apoiantes do governo para lhes apresentar doze condições "inegociáveis" para continuar à frente do governo. As primeiras sondagens dizem que a maioria dos italianos não deseja eleições antecipadas e o ex-presidente da Comissão Europeia aproveita para reforçar a sua autoridade: uma das doze condições dá ao seu porta-voz a responsabilidade de falar em nome de todo o governo, e uma outra determina que em caso de divergência no executivo sobre qualquer assunto, caberá sempre a Prodi a última palavra. Hoje continuam as consultas do presidente da República aos partidos. Em seguida, Giorgio Napolitano poderá reconduzir Prodi na chefia do executivo ou chamar de novo os italianos às urnas, num cenário mais improvável mas desejado pela direita de Silvio Berlusconi.

É a política externa que encabeça a lista das condições que os partidos da "União" - a coligação que deu o suporte à candidatura de Prodi para derrotar Berlusconi em 2006 - aceitaram a noite passada, num encontro que durou menos de uma hora. Foi justamente a política externa, nomeadamente a participação italiana na guerra no Afeganistão, que esteve na origem da queda do governo, ao não conseguir o apoio necessário no Senado. Esta primeira exigência refere o empenho na missão militar em solo afegão e no compromisso com a NATO. A redução da despesa pública, a reforma do sistema de pensões e o plano de investimento no reforço da rede ferroviária de alta velocidade são outras das condições de Prodi para continuar a governar com aquela maioria.

Uma reacção crítica veio do ministro da Solidariedade Paolo Ferrero, do Partido da Refundação Comunista (PRC), que afirmou ao La Repubblica estranhar a falta de alguns temas na lista de Prodi: "a precariedade, a luta contra a fraude ou o combate à pobreza, tudo pontos fundamentais, não aparecem lá." No entanto, a direcção do PRC já reafirmou o apoio à continuação do governo e prepara o ajuste de contas interno com os "desalinhados", em particular o senador Franco Turigliatto que não participou na votação de apoio à política externa. Essa posição foi qualificada pela direcção como "anti-democrática e violenta", e por isso "incompatível" com a sua permanência no PRC.

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