As luxuosas férias de Nicolas Sarkozy, pagas pelo empresário francês Vincent Bolloré, provocaram uma enorme polémica e uma chuva de críticas sobre o presidente eleito de França. Segundo a revista Forbes, Vincent Bolloré é dono da 10ª fortuna da França, com 2,1 mil milhões de euros. Os seus negócios vão do frete marítimo aos média. É dono do jornal Matin Plus, de distribuição gratuita, e do canal de TV Direct 8. Sarkozy chegou a Malta no jacto particular de Bolloré e hospedou-se no iate do empresário, uma embarcação de 60 metros, com capacidade para 12 pessoas, além da tripulação.
Em comunicado, a Liga Comunista Revolucionária francesa observou que Sarkozy "retomou a sua verdadeira face: a de um representante do dinheiro e do patronato, em estreita conivência com os meios dos negócios e os patrões da imprensa, no caso, o bilionário Vincent Bolloré." A organização francesa diz-se profundamente indignada e revoltada por este comportamento: "Num momento em que a precariedade, os baixos salários e os despedimentos atingem milhões de cidadãos, as férias endinheiradas de Sarkozy são um insulto a todos aqueles e aquelas que se debatem com dificuldades inultrapassáveis."
"É outro mundo. Sarkozy nunca disse que seria o presidente dos pobres. É o presidente do CAC 40 (principal índice da bolsa de Paris)", disse o senador socialista Jean-Luc Mélenchon.
"A luxuosa escapada mediterrânea" do defensor "da França trabalhadora, que se levanta cedo, pode surpreender", escreveu o jornal Le Parisien. O jornal pergunta-se se o presidente eleito, que "não esconde" que gosta de dinheiro, quer impor "um estilo a la Tony Blair ou Silvio Berlusconi. Sem complexos".
O presidente eleito foi forçado a defender-se, afirmando que a viagem não custou um cêntimo ao contribuinte francês e que não tem intenção de pedir desculpas, nem de se esconder, nem de mentir.