O primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, apresentou a sua demissão ao presidente da República, Giorgio Napolitano, depois do Senado ter derrotado a moção do governo para que fosse renovada a missão italiana no Afeganistão.
Para hoje, o Presidente da República italiano tem marcadas consultas com os principais partidos políticos em vista à formação de um novo governo. Observadores afirmam que confirmado está a ausência do ministro dos Negócios Estrangeiros, Massimo D’Alema deste novo executivo, sendo provável a continuação de Prodi à frente de um novo governo, caso haja um amplo acordo parlamentar. A demissão dá-se poucos dias depois da manifestação contra o alargamento da base norte-americana em Itália que teve o apoio de verdes e comunistas, contra a vontade de Prodi.
A derrota da moção do governo no Senado deveu-se à elevada abstenção dos deputados da ala esquerda da maioria (comunistas e verdes), tendo dois deles chegado a votar contra a moção.A politica externa tem sido um motivo de forte convulsão no seio da maioria. Neste fim de semana, verdes, refundação comunista e comunistas de Itália participaram numa grande manifestação contra o alargamento de uma base de tropas norte-americana em Itália, apesar das pressões de Prodi para impedir o apoio desses partidos de esquerda à contestação.A moção de D’Alema pretendia apoiar politicamente a presença dos 1900 soldados italianos no Afeganistão. Apesar do ministro D’Alema defender que a intervenção no Afeganistão é "legitima" e diferente da invasão do Iraque que “foi sustentada em mentiras”, a opinião pública italiana e as forças de esquerda não têm a mesma opinião, o que se reflectiu na votação de hoje, em que 24 senadores se abstiveram.