Cia: Relatório denuncia tortura de prisioneiros

01 de março 2007 - 12:25
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Campo de prisioneiros de guantánamo38 pessoas que terão estado em prisões da CIA encontram-se desaparecidas, segundo um relatório da Human Rights Watch, que também inclui acusações de tortura a um dos detidos, o palestiniano Marwan al-Jabour. Em carta dirigida a George W.Bush, a organização internacional de direitos humanos exorta o governante a «explicar plenamente a situação de cada um dos desaparecidos nas prisões da CIA e informar seus nomes, o seu paradeiro e quando saíram da custódia da CIA». Entretanto, os EUA já anunciaram que não aceitam os pedidos de extradição de 25 agentes da CIA para serem julgados em Itália pelo rapto de um cidadão egípcio.

A  Human Rights Watch (HRW), no relatório divulgado ontem, intitulado "Ghost Prisioner: Two Years in Secret CIA Detention" (Prisioneiro Fantasma: Dois anos na detenção secreta pela CIA), exige explicações a Bush sobre a "situação de cada um dos desaparecidos nas prisões da CIA", apelando igualmente para o encerramento de todas as prisões ilegais



A HRW admite vários cenários para estes detidos: poderão ter sido transferidos para prisões fora dos EUA, mas continuarem sob custódia da CIA, "ou poderão ter sido transferidos para países onde a tortura de suspeitos de terrorismo é comum", como é o caso da Argélia, Egipto, Líbia ou Síria.



"Se estiverem detidos num país terceiro, a Administração americana deve transferi-los para os EUA, a fim de serem julgados em tribunais do país, ou então libertá-los", exige a organização, antes de concluir: "deixar estes homens escondidos num limbo viola as normas dos direitos humanos", conclui.

O programa da CIA - que incluía o sequestro, extradição ilegal e a detenção de suspeitos de terrorismo - é uma das iniciativas mais polémicas da "guerra contra o terrorismo" lançada pela Administração norte-americana após os atentados de 11 de Setembro. Os grupos de defesa dos direitos humanos denunciaram vários casos, alguns já sob a alçada da justiça em vários países, e afirmam que muitos dos detidos foram sujeitos a tortura.


No ano passado o presidente dos EUA negou que tenham havido episódios de tortura. Num discurso televisivo, Bush admitiu que 14 pessoas foram mantidas em cadeias secretas da CIA e que os métodos usados no interrogatório foram duros, mas segundo ele, foram métodos "legais e necessários". "Os Estados Unidos não torturam", disse Bush. "É contra nossas leis e nossos valores. Não autorizei, nem autorizarei a tortura."

No entanto, o relatório agora divulgado revela que o palestiniano Marwan al-Jabour, preso em Lahore, no Paquistão, em Maio de 2004, diz que entre 2004 e 2006 foi surrado, mantido nu e preso ao tecto por uma corrente. O ex-detido alega também que foi queimado e que o sujeitaram a posições dolorosas por muitas horas. Durante o período em que ficou detido, Jabour afirma ter sido interrogado por vários agentes americanos, tendo apenas sabido onde se encontrava (na Jordânia) dois anos após a sua detenção.

Entretanto os EUA já anunciaram que não aceitam os pedidos de extradição de 25 agentes da CIA para serem julgados em Itália pelo rapto de um cidadão egípcio. "Nós não recebemos um pedido de extradição do governo italiano mas, se o recebermos, ele será negado", afirmou John Bellinger, assessor  de Condoleezza Rice, como informa a agência Reuters. "Não extraditaremos oficiais para a Itália."

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