O Senado Italiano votou ontem favoravelmente a moção de confiança exigida por Prodi para continuar à frente do governo Italiano. Prodi obteve 162 votos a favor e 157 contra, uma semana depois do mesmo órgão ter censurado o plano que previa mais 1800 soldados no Afeganistão e o alargamento da base militar americana em Vicenza. Entretanto, dois senadores da esquerda alternativa já informaram que podem não votar com Prodi em algumas questões cruciais.
O primeiro-ministro italiano ganhou, ontem à noite, um voto de confiança no Senado, que vai permitir ao Governo de centro-esquerda manter-se no poder.
O resultado da votação de ontem não significa o fim das dificuldades para o governo. Pelo menos dois senadores da esquerda alternativa, Fernando Rossi y Franco Turigliatto, embora tenham votado favoravelmente a moção de confiança, já informaram podem não votar com Prodi em algumas questões cruciais, como o refinanciamento da missão dos militares italianos no Afeganistão.
No discurso que precedeu a votação, Prodi prometeu resolver o problema das baixas pensões (cerca de 500 euros) e uma reforma do sistema de segurança social considerada necessária pela União Europeia. O Primeiro Ministro Italiano referiu também o seu empenho em lutar contra a pobreza e prometeu aumentar o número de creches e de alojamentos sociais.
Sobre o reconhecimento das uniões de facto homossexuais, Prodi estendeu a mão aos católicos e aos centristas, defendendo uma ampla convergência com a oposição sobre essa questão e deixando ao Parlamento a tarefa de «buscar soluções consensuais»
Prodi evitou falar da ampliação da base norte-americana de Vicenza, no Norte, um projecto já aprovado, mas rejeitado categoricamente pela esquerda alternativa e pela maioria dos italianos, cem mil dos quais estiveram presentes na manifestação em Vicenza. Segundo uma sondagem publicada na imprensa italiana, 62% dos italianos e 73% dos que apoiam o governo querem a retirada das tropas italianas do Afeganistão.
Para solucionar a crise, antes de pedir o voto de confiança ao Senado, Prodi prometeu mais diálogo com seus aliados, defendeu uma reforma eleitoral e exigiu que os nove partidos que o apoiam assinassem um termo dando-lhe o direito explícito de ter a última palavra sobre todas as questões.