Operários de fábricas da Airbus na Alemanha e em França paralisaram as actividades e fizeram manifestações e concentrações contra o plano de reestruturação da empresa anunciado hoje com o nome de "Power 8". O plano prevê o despedimento de 10 mil trabalhadores em quatro anos (França, 4.300; Alemanha, 3.700; Grã-Bretanha, 1.600; Espanha, 400).
O poderoso sindicato metalúrgico alemão IG Metal convocou para amanhã uma manifestação contra o plano, e particularmente contra o encerramento da fábrica da empresa europeia de aviação na cidade de Laupheim. "Não vamos ficar de braços cruzados a olhar a nossa fábrica fechar aos bocados", disse Michael Braun, delegado do sindicato. Hoje, logo após o anúncio do plano, os operários de três fábricas da Alemanha (Varel, Nordenham et Laupheim) desligaram as máquinas e foram para casa. O sindicato afirmou que só vão retomar o trabalho sexta-feira.
Em França, houve greves espontâneas e manifestações. Em Saint-Nazaire, 1.800 funcionários de duas fábricas fizeram uma paralisação para informação dos sindicatos. Outro milhar de operários fez uma hora de paralisação em Nantes. Em Toulouse, outros mil trabalhadores fizeram uma concentração à porta de duas fábricas.
"É preciso que a mobilização cresça", disse Xavier Petrachi, delegado sindical da central sindical CGT, citado pela edição online do Le Monde. "Se deixarmos passar o 'Power 8', é a ruína da Airbus.
"Estamos furiosos", acrescentou Jean-François Knepper, da central Force Ouvrière. "É grave, é injusto. A França não sabe proteger as suas indústrias."
Por seu lado, o ministro alemão da Economia, Michael Glos, disse que o plano é equilibrado e que oferece à empresa aeronáutica uma boa base para o seu futuro desenvolvimento.
Ségolène e Sarkozy
Os dois principais candidatos às eleições francesas reagiram ao anúncio do plano de reestruturação da empresa. A candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal, declarou que pretende impedir o programa de reestruturação da Airbus caso vença as próximas eleições. O Estado francês detém 15% das acções do grupo. Segundo Royal, a crise da Airbus poderia ser resolvida através de uma intervenção estatal mais rígida. Já Nicolas Sarkozy declarou ser contrário a qualquer intervenção estatal na empresa: "os Estados não são necessariamente os melhores accionistas", disse, observando que a empresa tem principalmente "um problema administrativo".
Números da crise
A crise da Airbus levou à perda em 2006 da liderança do mercado mundial de aviões comerciais, que mantinha por cinco anos consecutivos frente à sua concorrente americana Boeing.
Em 2006, a Airbus teve de se conformar com uma fatia de mercado de 44% das encomendas brutas, ou seja, 824 unidades, frente às 1.050 da Boeing. Em termos financeiros, a vantagem da Boeing foi muito maior: os aviões vendidos pela Airbus no ano passado somaram 75,1 mil milhões de dólares, em comparação aos 115,2 mil milhões de dólares da americana.
Por causa dos atrasos na construção do seu avião gigante A380, a Airbus perdeu contratos de clientes que não quiseram esperar para receber as aeronaves dois anos após o prazo previsto.