Turquia: Centenas de milhares contra candidatura islamista à presidência

30 de abril 2007 - 12:11
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Manifestação em Istambul - Foto da LusaCentenas de milhares de pessoas manifestaram-se ontem em Istambul contra o governo islamista e a candidatura à presidência de Abdullah Gul, ministro dos negócios estrangeiros e braço direito do primeiro ministro, Recep Tayyip Erdogan, do partido islamista AKP. Na Turquia, o presidente da república é eleito pelo parlamento. Gul não foi eleito por pouco no primeiro escrutínio na passada 6ª feira, quando obteve 357 votos e precisava de 367. A oposição boicotou a votação, pediu a anulação do processo no Tribunal Constitucional, tentando forçar eleições antecipadas, abrindo-se assim uma crise política grave.

O exército, numa nota do chefe de Estado-maior divulgada na noite de 6ª feira para Sábado, expressou a preocupação com a crise política, afirmando que o exército não se coibirá de actuar "sempre que necessário" para preservar a natureza laica da República Turca.

O governo do partido islamista AKP, reagiu à nota do exército lembrando que as chefias militares "estão sob as ordens do primeiro-ministro".

Na manifestação de Domingo em Istambul, convocada por 600 ONG's pelo laicismo e pela democracia, participaram centenas de milhares de pessoas que exigiram a demissão do governo e gritaram palavras de ordem como "a Turquia é laica e continuará a ser" e "Nem charia, nem golpe de Estado, viva a Turquia independente". Na manifestação predominaram as bandeiras turcas e muitos manifestantes transportavam retratos de Mustafah Kemal Ataturk.

Abdullah Gul afirmou entretanto que não retirará a sua candidatura, apesar da reacção do exército, da manifestação e da crise política.

Gul poderá facilmente ser eleito na terceira volta, a 9 de Maio, em que precisará apenas de 276 votos. No entanto, o Tribunal Constitucional, considerado um bastião da defesa do Estado laico, apreciará entretanto o pedido de anulação das eleições presidenciais, o que poderá fazer ainda antes da segunda volta das presidenciais, a 2 de Maio.

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