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O actor Tim Robbins foi um dos destaques da manifestação antiguerra que levou milhares de pessoas a Washington no último sábado. Ao lado de outras estrelas de Hollywood, como Sean Pen, Susan Saradon, Jane Fonda, Tim Robbins defendeu abertamente o impeachment (impugnação) de Bush. Veja o vídeo do discurso. A tradução está abaixo.
TIM ROBBINS: Não sei o que vão dizer os jornais amanhã, mas há muita gente aqui hoje! Também não sei se ouviram as últimas notícias que acabaram de chegar: Karl Rove foi intimado a prestar declarações.
Houve quem dissesse recentemente que a impugnação (impeachment) não está sobre a mesa.
PÚBLICO: Não!
TIM ROBBINS: O quê?
PÚBLICO: Não!
TIM ROBBINS: No comboio, quando vinha para cá, falei com uma mulher cujo irmão acaba de ser enviado para o Iraque. Devido à recente decisão de Bush de aumentar o contingente de tropas no Iraque, o irmão está a ser enviado para o combate. Em vez de passar por um período de treino adequado de 12 semanas, este jovem soldado de 20 anos vai chegar ao campo de batalha num país hostil com duas semanas de treino. A impugnação está fora de questão?
PÚBLICO: Não!
TIM ROBBINS: Em Novembro passado, o povo dos EUA enviou uma sonora mensagem a Washington e ao mundo: queremos mudar! Queremos que esta guerra acabe! E como respondeu Bush? Vinte e um mil e quinhentos mais vão arriscar a vida pela sua guerra irresponsável. A impugnação está fora de questão?
PÚBLICO: Não!
TIM ROBBINS: Vamos tirá-lo do governo! Vamos tirá-lo do seu posto antes de...
PÚBLICO: Impugnação! Impugnação! Impugnação! Impugnação!
TIM ROBBINS: Vamos tirá-lo do governo antes que comece a governar num bunker! Vamos tirá-lo do governo antes que o único que fique a seu lado seja Barney! Nixon, Richard Nixon, falava com as paredes. Bush fala com Deus. Mas não é um deus que eu conheça. Este deus parece autorizar George a violar alguns dos seus principais mandamentos. Este deus parece estar de acordo com mentir ou com dar falso testemunho contra o Congresso dos EUA, contra o povo dos EUA, contra o mundo, com dar falso testemunho sobre as armas de destruição maciça, com dar falso testemunho sobre a ameaça iminente de Saddam, com dar falso testemunho sobre os vínculos entre a al-Qaeda e o Iraque.
Este deus parece dar permissão a George para roubar, para roubar os recursos do povo iraquiano, para esbanjar os dólares dos contribuintes americanos, que ganham com o suor da sua fronte, para uma guerra desnecessária! O dinheiro que poderia ser utilizado para lutar com inteligência contra o terrorismo é desperdiçado de uma maneira e numa guerra que cria mais terroristas. O dinheiro que poderia estar a ajudar os idosos, os pobres, os doentes, está, em vez disso, a encher os bolsos dos especuladores da guerra, como a Halliburton e as milícias mercenárias privadas como a Blackwater. Mas o deus de Bush diz: "está certo, George!" Diz-lhe para honrar o seu pai e mãe, mas quando o pais lhe diz que não ocupe o Iraque, o deus de George aconselha-o a não ouvir o pai.
Bem, penso que temos uma ideia diferente desses mandamentos. E não esqueçamos que o mais importante é: não matarás! Não matarás ou arriscarás imprudentemente no exterior as vidas dos nossos valorosos homens e mulheres. Mais de 3.000 mortos. Mais de 50 mil feridos. Não matarás ou arriscarás desnecessariamente as vidas de civis iraquianos. Quantos? 50 mil? 200 mil? 400 mil? 650 mil? Só deus sabe, George. Só deus sabe.