Como era previsto, o presidente dos EUA, George W. Bush, vetou a proposta de orçamento que definia um calendário para a retirada das tropas americanas do Iraque -aprovada antes pela maioria democrata da Câmara e do Senado. O presidente americano acusou a oposição de estar a substituir as decisões estratégicas militares por opiniões políticas. “Os nossos comandantes em campo ficariam sujeitos às directivas de quem está em Washington, a milhões de quilómetros da frente de batalha", disse Bush.
"Não faz sentido avisar o inimigo sobre quando vamos começar a deixar o país. Marcar a data seria uma irresponsabilidade também em relação ao povo iraquiano, com quem temos um compromisso", acrescentou.
Aprovada no Congresso na semana passada, a medida - que destina US$ 124 mil milhões para a guerra e determina que a retirada comece até Outubro e conclua em Abril de 2008 - foi enviada ao presidente à tarde, após cerimónia realizada no Capitólio na qual os democratas Harry Reid, líder da maioria no Senado, e Nancy Pelosi, presidente da Câmara, assinaram o texto.
Ontem foi o quarto aniversário do discurso feito por Bush em 1º de Maio de 2003 a bordo do porta-aviões "Abraham Lincoln", anunciando que estavam encerrados os principais combates no Iraque, sob uma faixa na qual se lia: "Missão cumprida".
Os democratas fizeram questão de recordar a efeméride: "Hoje é o quarto aniversário do que eu considero um dos mais vergonhosos episódios da história americana", disse a senadora democrata e pré-candidata à Presidência Hillary Clinton. "Nunca um presidente disse "missão cumprida" quando a missão estava só a começar."
Depois do veto, porém, Bush adoptou um tom conciliador, convidando os líderes da Câmara e do Senado a reunirem-se com ele para buscar um acordo.