Num discurso pronunciado segunda-feira, na véspera do dia do trabalho, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que a Venezuela vai abandonar o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Chávez aposta na criação do Banco do Sul, uma instituição bancária regional que seria financiada pelas contribuições dos países aderentes e que substituirá as duas instituições, responsáveis, segundo o presidente venezuelano, pela pobreza na América do Sul.
"É melhor sairmos já, porque estas instituições estão em crise", disse Chávez, afirmando ter lido na imprensa que o FMI já nem pode pagar os salários dos seus funcionários. A Venezuela pagou há semanas a sua última dívida ao Banco Mundial. Chávez disse ainda que vai pedir a devolução do depósito que o seu país ainda tem naquelas instituições. "Não sei quanto é, mas ainda temos uns dólares lá e queremo-los de volta."
O presidente da Venezuela ameaçou também retirar-se da Organização dos Estados Americanos (OEA), se esta instituição condenar a Venezuela pela não renovação da licença da televisão privada Radio Caracas Television (RCTV), a quem Chávez acusa de estar implicada no golpe de Estado que o afastou do poder durante dois dias em 2002.
No mesmo discurso, o presidente da Venezuela anunciou um aumento de 20% do salário mínimo para o equivalente a 210 euros e uma redução da jornada de trabalho para 6 horas de trabalho diárias até 2010. "Os trabalhadores venezuelanos merecem o melhor do melhor", disse.