general da guerra do Líbano demite-se

18 de janeiro 2007 - 11:20
PARTILHAR

Dan HalutzCinco meses após a falhada invasão do Líbano, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de Israel, general Dan Halutz, demitiu-se do cargo, assumindo todas as suas responsabilidades no fracasso de uma campanha militar que embaraçou seriamente o mais poderoso exército do Médio Oriente.

A imprensa israelita descreveu a decisão do tenente-general Dan Halutz como um terramoto e especulou a possibilidade de um efeito dominó que poderá derrubar o Primeiro-Ministro Ehud Olmert e o Ministro da Defesa, Amir Peretz.

A renúncia do ex-piloto foi anunciada horas depois do promotor-geral de Israel ter ordenado uma investigação criminal sobre o papel de Olmert na privatização do segundo maior banco do país em 2005, quando foi Ministro das Finanças. Na carta de demissão que enviou terça-feira ao primeiro-ministro, Ehud Olmert, e ao ministro da Defesa, Amir Peretz, o general Halutz afirma que, depois de ter conduzido a investigação interna das Forças Armadas ao fracasso da guerra no Líbano, chegou a altura de "agir de forma responsável" e abandonar o cargo.



Halutz preferiu não esperar pelos resultados de uma comissão independente liderada pelo juiz Eliyahu Winograd para investigar os erros cometidos na guerra.

"Lamento imenso a demissão do chefe do Estado-Maior, mas ele declinou o meu pedido para que reconsiderasse a sua decisão", afirmou o primeiro-ministro israelita, também ele alvo de fortes críticas pela forma como a guerra foi conduzida. Segundo a imprensa israelita de ontem, a demissão de Halutz poderá criar uma espécie de ‘efeito dominó' que poderá levar à demissão de Peretz e Olmert, cuja popularidade foi seriamente abalada pelo desfecho da guerra.



A direita e a extrema-direita isralelitas rejubilaram com a demissão de Haloutz. "A demissão do chefe de Estado-Maior consagra o falhanço da guerra do Líbano e obriga o primeiro-ministro e o ministro da Defesa a cessar funções" argumenta Israel Katz, deputado do Likud, principal partido da oposição (as últimas sondagens dão-lhe 29 lugares no parlamento, contra os actuais 12).

Também Avigdor Liberman, ministro dos Assuntos Estratégicos, líder de uma formação de extrema-direita da coligação lembrou que "Cada dia que passa com este homem em funções compromete-se seriamente a segurança do país"



Recorde-se que na guerra do Líbano do último Verão morreram 162 israelitas e cerca de 1100 libaneses. Depois da pressão internacional e da resistência activa dinamizada pelo movimento xiita Hezbollah, o exército israelita foi obrigado a aceitar um acordo de cessar-fogo. A derrota de Israel endureceu a crítica ao Governo por não ter cumprido os objectivos a que se propôs na ofensiva militar.

Termos relacionados: Internacional