As Nações Unidas revelaram que 4 milhões de pessoas estão em risco de vida no Iraque por falta de alimentos. A organização acusa o governo iraquiano de não divulgar o número de civis mortos para ocultar a crise humanitária no país e denuncia ainda a violação dos direitos básicos das cerca de 3000 pessoas detidas nos últimos dois meses. Segundo o relatório ontem divulgado, o plano de segurança implementado há dois meses não originou a dimninuição do número de mortes, ao contrário do que sustenta o governo iraquiano
O Diário El País informa que as Nações Unidas, no seu décimo relatório sobre a situação dos direitos humanos no Iraque, pede às autoridades iraquianas maior transparência na elaboração das listas das vítimas de violência. Referente aos meses de Janeiro, Fevereiro e Março, o relatório revela que 4 milhões de pessoas estão em risco de vida por falta de alimentos e que cerca de 54% dos cerca de 25 milhões de iraquianos vivem com menos de 75 cêntimos por dia. Desde que entrou em vigor o plano de segurança de Bagdad, em meados de Fevereiro, cerca de 3000 pessoas foram detidas, com os seus direitos básicos violados. No total, mais de 37 mil pessoas estão detidas em prisões iraquianas e dos EUA, muitas das quais sem acusação formada.
A última contagem das Nações Unidas, feita no final de 2006, revela que até essa altura tinham perdido a vida 34.592 cicis iraquianos.
Os protestos contra o plano norte-americano de erguer muros em Bagdá para conter a violência sectária ganharam força ontem, com uma manifestação de xiitas que se seguiu a uma outra de sunitas. A construção do muro, de 5 quilômetros de comprimento e 3,6 metros de altura, começou no dia 10 de abril e foi divulgada pelo Exército americano na semana passada para, segundo os Estados Unidos, proteger os moradores do bairro de Adhamiya, em Bagdá, onde a comunidade sunita é alvo constante de ataques de xiitas que rodeiam a região. Tanto xiitas como sunitas contestam a construção da barreira: "Não ao muro, não à separação confessional, não ao ocupante!", gritavam os manifestantes, acompanhados por um grande aparato de segurança.