VAGA DE PRISÕES EM OAXACA
O jurista mexicano Santiago Corchera, representante do grupo de trabalho da ONU sobre Desaparecimentos Forçados, criticou ontem a actuação do governo do presidente Felipe Calderón na crise de Oaxaca: "A pior maneira de poder reconciliar (...) é meter no cárcere" afirmou. Para amanhã 10 de Dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos, está convocada pela APPO (Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca) uma grande manifestação "pela paz, a justiça e a dignidade dos povos de Oaxaca", nesta cidade mexicana.
"Que não nos paralise o medo" é o título da convocatória que lembra também os mortos, os desaparecidos e os presos. A Polícia Federal, que ocupa o centro da cidade de Oaxaca desde 29 de Outubro (ler notícia no esquerda.net), reprimiu violentamente uma manifestação a 25 de Novembro e tem vindo a deter centenas de pessoas. Na passada 2ª feira prenderam Flavio Sosa, um dos dirigentes da APPO (Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca), antigo deputado do PRD, que em 2000, com o objectivo de derrotar o PRI, apoiou o candidato, e depois presidente, Vicente Fox. Flávio Sosa foi agora acusado de sequestro, roubo qualificado, agressão e destruição de bens cometidos durante as mobilizações populares da APPO no Verão passado.
Segundo o jornal El Universal, Santiago Corchera condenou que no México se possa ainda usar o direito penal de maneira perversa, "caracterizando condutas delituosas de delitos comuns para processar activistas políticos" e considerou que assim vulnera-se o Estado de Direito.
A manifestação de amanhã é convocada pela APPO (mais informação em oaxacalibre.net. Na convocatória (acessível em mexico.indymedia.org) é salientado que a repressão da manifestação de 25 de Novembro levou à prisão 204 pessoas, das quais 141 presas na prisão de alta segurança de Nayarat, longe da família e "violando todos os seus direitos constitucionais e humanos" .