Iraque: democratas do Congresso dos EUA querem retirada num ano

24 de abril 2007 - 11:26
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Bagdad, manifestantes contra a construção do muro no bairro de Adhamiyah - Foto da LusaAs maiorias democratas no Senado e na Câmara de Representantes dos EUA chegaram a acordo para aprovar uma proposta, que exige que o início da retirada das tropas norte-americanas do Iraque se inicie a 1 de Outubro deste ano e termine a 1 de Abril de 2008. Bush promete vetar.

Entretanto, no Iraque a explosão de um carro bomba matou nove soldados norte-americanos e feriu 20.

Em Bagdad, rebentou uma polémica sobre a construção de um muro à volta de um bairro maioritariamente habitado por sunitas, que os norte-americanos querem construir e que tem a oposição dos moradores, mas também do primeiro-ministro do Iraque. Moradores do bairro manifestaram-se ontem contra a construção do muro.

Nuri al-Maliki, o primeiro-ministro do Iraque opõe-se à construção de um muro em redor do bairro de Adhamiyah, que o exército norte-americano quer levar a cabo. O bairro é habitado maioritariamente por sunitas e está rodeado por bairros habitados por xiitas. Segundo os generais dos EUA, a construção do muro é necessária para impedir ataques provenientes do bairro e também contra o bairro. A população está contra a construção do muro que, segundo eles, os segregaria. Ontem, segunda-feira, moradores manifestaram-se contando com a presença e apoio de deputados iraquianos.

Na província iraquiana de Diyala perto da cidade de Baquba, um carro com explosivos rebentou matando nove soldados norte-americanos e ferindo 20, cinco dos quais gravemente.

Representantes das maiorias democratas do Senado e da Câmara de Representantes dos EUA, iniciaram negociações para definir o texto final de um projecto de lei de despesas suplementares para as operações no Iraque e no Afeganistão. O projecto deverá apontar para que a retirada das tropas americanas do Iraque se inicie a 1 de Outubro de 2007 e esteja terminada a 1 de Abril de 2008.

O líder da maioria democrata no Senado americano, Harry Reid, afirmou que três meses depois de Bush anunciar o envio de mais tropas, o governo iraquiano foi incapaz de dominar a violência, conseguir harmonia política ou melhorar serviços básicos. Acrescentou ainda que a escalada do conflito provocou inúmeras baixas iraquianas e americanas, milhões de refugiados e um governo iraquiano "à beira do caos".

Bush promete vetar o projecto de lei dos democratas e a sua porta-voz, Dana Perino, reafirmou que os EUA enfrentam um "inimigo brutal e sanguinário" no Iraque que deve ser combatido agora, acrescentando que a fixação de datas de retirada seria "uma derrota e uma sentença de morte" para o povo iraquiano.

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