EUA DISCUTEM RETIRADA OU REFORÇO DE TROPAS
O senador democrata Barack Obama pediu ontem a redução das tropas americanas no Iraque em quatro ou seis meses. Obama, um dos pretendentes à candidatura presidencial do Partido Democrata, propôs um calendário de retirada por fases, que inclui um reforço de tropas no Norte do Iraque e no Afeganistão. Ao mesmo tempo, dois dos principais ideólogos neoconservadores, Robert Kagan e William Kristol, defenderam em artigo no Financial Times "uma estratégia para ganhar", que passaria por "um acréscimo de pelo menos 50 mil soldados americanos no Iraque, para exercer o controlo sobre Bagdad". O Financial Times publica também um artigo do general-de-brigada reformado Zeb Bradford, ex-chefe de planeamento estratégico na NATO, que argumenta que mais tropas não resolvem crise.
"A decisão do presidente de ir à guerra no Iraque teve consequências desastrosas no Afeganistão", disse Obama. "Vimos uma forte ofensiva dos taliban, um aumento dos ataques terroristas e um aumento do narcotráfico que está fora de controlo." Obama defendeu que a única solução para o Iraque é política. "Os dias de pedir e esperar que eles tomem o controlo do seu país estão a chegar ao fim."
A perspectiva de Kagan e Kristol é oposta: "Em lugar de buscar uma maneira de perder no Iraque sem perder a compostura, o presidente Bush poderia finalmente encomendar a seus assessores uma estratégia para ganhar: fornecer os níveis de força americanos necessários para atingir objectivos políticos mínimos", defendem. "Isso poderia começar com um acréscimo de pelo menos 50 mil soldados americanos no Iraque, para exercer o controle sobre Bagdad sem que seja preciso deslocar tropas para outras partes do país. Essa estratégia não estabilizaria o país de imediato, mas poderia garantir a segurança do centro vital do Iraque, oferecendo esperança de avanços."
Mas o ex-chefe de planeamento estratégico na NATO Zeb Bradford argumenta que o reforço do contingente americano é inútil: "Se uma ampliação de 50 mil homens fosse implementada para as forças norte-americanas estacionadas no Iraque, o Exército, por si só, precisaria ampliar os seus efectivos em 100 mil soldados, um vasto aumento de forças. Isso simplesmente não é viável em prazo que fizesse qualquer diferença. No que tange às unidades da Guarda Nacional, existem limites quanto à duração do serviço activo que pode ser imposto a uma unidade da Guarda Nacional (24 meses). E esse limite já começa a ser atingido por muitas das unidades em serviço."
Zeb Bradford diz ainda que "É evidente que existem tropas adicionais disponíveis, mas utilizá-las para essa finalidade imporia um custo inaceitável às Forças Armadas norte-americanas como um todo, e prejudicaria a posição militar dos Estados Unidos no resto do mundo."