SÍRIA E IRÃO FORA DO "EIXO DO MAL"?
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu ontem que os EUA e a Grã-Bretanha devem envolver a Síria e o Irão nos esforços de estabilização do Iraque. A mesma medida seria defendida por James Baker, que lidera um grupo de estudos sobre o Iraque, uma comissão bipartidária do Congresso dos EUA dedicada a procurar saídas alternativas para a ocupação. "Os nossos novos amigos no Médio Oriente", ironiza o diário britânico The Independent, mostrando fotos dos presidentes daqueles dois países. Irão e Síria têm sido mostrados por George W. Bush como os membros predominantes do "eixo do mal".
No discurso de ontem à noite, Blair disse que o Irão estava diante de uma escolha estratégica clara: uma parceria desde que pare de "apoiar o terrorismo no Líbano e no Iraque" e aceite as suas obrigações; o isolamento em caso contrário. Assessores de Blair disseram que o mesmo princípio se aplica à Síria. Blair defendeu ainda que o primeiro passo para a estabilização do Iraque é encontrar uma solução para o conflito israelo-palestiniano.
O porta-voz de Blair disse que "este é um momento de repensar a política e o momento de articular uma caminho para a frente." O primeiro-ministro britânico fala hoje durante uma hora, através de videoconferência, com a comissão de Baker.
George W. Bush, porém, não parece ainda convencido da nova estratégia, até porque ainda não é claro se a comissão Baker vai chegar a um consenso. Ontem, depois de uma reunião com o primeiro-ministro israelita, Ehud Olmert, Bush voltou a dizer que o Irão é uma ameaça à paz.