PANAMÁ É O NOVO MEMBRO NÃO-PERMANENTE
O Panamá foi hoje eleito membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU em representação da América Latina e das Caraíbas, superando finalmente o impasse a que tinha chegado a disputa entre a Guatemala, apoiada pelos EUA, e a Venezuela. Com 164 votos a favor e nove abstenções, em 192 países membros da Assembleia-Geral da ONU, o Panamá obteve mais dos dois terços necessários. O país centro-americano substituirá assim a Argentina a partir de 1 de Janeiro.
O resultado da votação já era previsto desde o momento em que a Guatemala e a Venezuela, que disputavam o lugar, se retiraram depois de 47 votações em que nenhum dos dois obteve os necessários dois terços. Os dois países concordaram em apoiar o Panamá, argumentando que é um país charneira entre a América Central e do Sul, num momento de forte polarização regional.
O Panamá já integrou o Conselho de Segurança nos biénios de 1958-1959, 1972-1973, 1976-1977 e 1982-1983.
O Conselho de Segurança integra cinco membros permanentes com direito a veto - Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China - e dez não-permanentes com mandatos de dois anos. Além do Panamá, os novos membros não-permanentes do Conselho de Segurança são a Bélgica, a Indonésia, a Itália e a África do Sul.
O embaixador do Panamá na ONU, Ricardo Alberto Arias, disse que o seu país avançou a candidatura "num espírito de compreensão dos diferentes conflitos existentes no mundo, especialmente os causados por diferenças culturais e religiosas." Devido à sua cultura diversificada e as diferentes raças e religiões que convivem no Panamá, Arias disse que o seu país pode "contribuir para a paz e a estabilidade internacional". Arias disse ainda que o Panamá, junto com o Peru, que permanece no Conselho, vão defender os interesses dos países da América Latina e das Caraíbas.