Presidenciais no Brasil

30 de outubro 2006 - 2:37
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LULA REELEITO COM 60,8% DO VOTOS

lulavitorialusa061030O actual presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) venceu ontem o segundo turno das eleições presidenciais com 60,8% dos votos válidos, contra 39,2% de Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). É a segunda vez que um presidente brasileiro é eleito por voto popular para dois mandatos consecutivos - o outro foi Fernando Henrique Cardoso (1995-98 e 99-02). Antes deles, só Getúlio Vargas comandou o país por dois períodos, mas não consecutivos (1930-45 e 50-54). Lula tomará posse em Janeiro e governará o país até 2010.

No discurso de vitória, Lula prometeu fazer um segundo mandato "muito melhor" do que o primeiro, afirmando que as "as bases estão dadas" para o Brasil crescer. "Tinha consciência de que tínhamos construído um alicerce para o País dar um salto neste segundo mandato". Ele citou os resultados positivos na economia, a consolidação das relações internacionais e a importância dada ao Mercosul.

"Todo o povo brasileiro votou porque tem esperança de que as coisas vão andar muito melhor agora no segundo mandato", disse, prometendo que as regiões mais empobrecidas terão uma atenção maior: "Queremos tornar o Brasil mais humano e mais justo".

Antes, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmara ao Estado de S.Paulo que "acabou a era Palocci no Brasil", referindo-se ao todo-poderoso ministro das Finanças que saiu do governo por suspeitas de envolvimento num caso de corrupção. Para Genro, o segundo mandato do presidente vai representar o fim de uma política económica "monetarista e conservadora", a que foi levada a cabo por Palocci em todo o primeiro mandato, e o começo de um "governo desenvolvimentista".

Tarso defendeu a realização de um grande acordo nacional para dar governabilidade ao segundo mandato de Lula e elogiou mesmo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nos últimos dias desestimulou os discursos oposicionistas a respeito de um eventual pedido de impeachment de Lula se ficar provada a sua ligação ao escândalo da tentativa de compra de um dossier que supostamente incriminava o adversário de Lula em casos de corrupção.

Ontem, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu ouviu gritos de "ladrão, ladrão", puxados por eleitores do PSDB que estavam no local de votação. Dirceu, que é suspeito de ser o principal arquitecto do escândalo do "mensalão", ainda foi chamado de "bandido" e "judas" e teve de ser protegido por amigos para não ser agredido por uma senhora exaltada.

No segundo turno das eleições de governadores, a principal surpresa foi a vitória de Ana Júlia, do PT, no estado do Pará, sobre Almir Gabriel, do PSDB, pondo fim ao domínio de 12 anos do PSDB no estado. Em contrapartida, Yeda Crusius, do PSDB, derrotou Olívio Dutra, do PT, no Rio Grande do Sul. Em Brasília, o actual governador, Roberto Requião do PMDB, derrotou o candidato do PDT, Osmar Dias, por apenas 0,2%. No Maranhão, a família do ex-presidente José Sarney averbou uma pesada derrota ao perder o controlo do governo do Estado: Jackson Lago, do PDT, derrotou Roseana Sarney, do PFL.

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