"NÃO ESTOU SATISFEITO"
George W. Bush admitiu ontem, em conferência de impresa, que as tropas americanas estão a sofrer pesadas baixas. Abandonando a estratégia de nunca se referir às baixas americanas, informou: «este mês perdemos 93 soldados norte-americanos no Iraque, o número mais elevado desde Outubro de 2005. Mais ou menos durante o mesmo período, mais de 300 soldados iraquianos deram as suas vidas em combate». «Muitos americanos não estão satisfeitos com a situação no Iraque, eu também não estou satisfeito», disse, para concluir:: «os acontecimentos do último mês têm sido uma grande preocupação para mim e para o povo americano».
Bush admitiu o falhanço mas tentou acrescentar uma nota de optimismo: «Estamos a vencer e venceremos, a menos que partamos antes de a missão estar cumprida». O presidente preveniu que se os Estados Unidos não forem bem sucedidos no Iraque os extremistas podem usar o território como base para tentarem estabelecer um «Império radical de Espanha à Indonésia»
Quando as relações entre sunitas, xiitas e curdos estão cada vez mais dificeis, o presidente dos Estados Unidos garantiu que «os americanos não têm qualquer intenção de tomar partido numa luta sectária ou de se meterem no fogo cruzado entre facções rivais».
Em relação a uma futura retirada, Bush recuou em relação a declarações passadas. "Na última primavera eu pensei que poderíamos reduzir a presença das nossas tropas no início do próximo ano», recordou, para concluir que os generais no terreno consideraram que isso não seria possível. Se não acreditasse que a guerra do Iraque era essencial para a segurança americana, assegurou, «traria as tropas americanas para casa amanhã».
13 dias antes das eleições, em que o controlo republicano da Câmara de Representantes e do Senado está em perigo, Bush justificou assim as suas declarações: «as pessoas precisam de saber que temos um plano para a vitória».