Iraque: Baker prepara plano

18 de outubro 2006 - 18:15
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DEZ MILITARES DOS EUA MORTOS SÓ ONTEM

iraque061011O comando militar dos EUA no Iraque anunciou que dez militares americanos morreram ontem em ataques da resistência iraquiana. Apenas em Outubro já morreram 68 militares dos EUA. A continuar neste ritmo, o mês será o mais sangrento para as tropas americanas desde Janeiro de 2005. Desde o início da invasão, já morreram pelo menos 2.777 soldados americanos. O número de mortes tinha caído para 43 em Julho, mas desde aí não parou de subir: 65 em Agosto e 71 em Setembro.

 

A perda de apoio à política de George W. Bush para o Iraque é o principal problema que os republicanos enfrentam nas próximas eleições para o Congresso, a 7 de Novembro.

Até ao momento, a política seguida pelos republicanos é, segundo o recente livro de Bob Woodward, inspirada nos conselhos do ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que conduzia a diplomacia americana na época da derrota no Vietname. Hoje, Kissinger está convencido de que a principal causa da derrota foi política e não militar. Por isso, tem defendido que a única estratégia de saída do Iraque é a vitória militar dos EUA sobre a resistência.

Mas esta estratégia, com o número de militares americanos mortos prestes a chegar aos 3 mil, parece ter-se esgotado.

Hoje chegaram à imprensa informações sobre as prováveis conclusões de uma comissão bipartidária do Congresso americano formada para preparar um relatório sobre as alternativas para o Iraque, e que é dirigida pelo ex-secretário de Estado James Baker. Baker trabalhou com Bush pai e é homem de confiança da família. Mas tudo indica que as conclusões, que não deverão ser divulgadas antes das eleições, representarão, se forem aplicadas, uma viragem radical na política externa americana.

Baker deverá recomendar a retirada americana para bases fora do país, em regiões fronteiriças, e a abertura de negociações com a Síria e o Irão. "Acredito nas negociações com inimigos", disse recentemente. "Nem os sírios nem os iranianos querem um Iraque caótico... por isso há potencial para obter algo mais do que apenas oposição por parte destes países."

Esta posição já conta com o apoio do presidente do Iraque, Jalal Talabani, que disse à BBC que ela significaria o "início do fim do terrorismo".

De acordo com o New York Sun e o Los Angeles Times, a comissão encara duas possibilidades. A primeira seria concentrar-se num esforço dos americanos para estabilizar Bagdad, ao mesmo tempo que tentavam atrair parte da resistência para o processo político, através das negociações com a Síria e o Irão. A segunda, seria a retirada das tropas dos EUA para bases fora do Iraque e fazer operações militares, a partir daí, de apoio às tropas iraquianas.

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