PRIMEIRO DEBATE É JÁ DOMINGO

O primeiro debate para o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil é já no próximo domingo, na rede Bandeirantes de televisão. Ao contrário do que aconteceu na primeira volta, quando faltou a todos os debates que se realizaram, o presidente Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores, irá comparecer e defrontar-se com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. A vitória nos debates passou a fazer parte fundamental da estratégia do actual presidente para vencer as eleições do próximo dia 29 de Outubro. Já está garantida a existência de um novo debate na rede Globo, dia 27, e ainda está em discussão um terceiro debate. Ontem e hoje realizaram-se contactos frenéticos para garantir os apoios às candidaturas ao segundo turno. A governadora do Rio de Janeiro e o marido, o ex-candidato presidencial Anthony Garotinho, levaram o apoio a Alckmin. Ambos estão actualmente no PMDB. A executiva do Partido Democrático Trabalhista (PDT), do candidato Cristóvam Buarque, reúne-se amanhã e deve decidir também o apoio a Alckmin. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o candidato do PSDB disse que é mais à esquerda que Lula "no apreço à democracia e no sentido económico" e que vencerá as eleições graças à "militância cívica" dos eleitores: "O PT tinha uma militância histórica, mas ela praticamente desapareceu. Nós passamos a ter, não digo uma militância partidária, mas uma militância cívica", disse.
Pelo seu lado, Lula deverá conseguir o apoio do candidato do PMDB ao governo do estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, do PMDB, que enfrenta Denise Frossard, do PPS (o sucedâneo do antigo PCB), que apoia Alckmin. Assim, o PMDB, que elegeu a maior bancada parlamentar, divide-se entre o apoio aos dois candidatos.
Quanto ao tema que mais prejudica a campanha de Lula, a vinculação de vários militantes do PT à compra de um dossier que tentava incriminar Alckmin e José Serra, do PSDB, à chamada "máfia dos sanguessugas", a saída do presidente deverá ser expulsá-los do partido (o que não foi feito aos incriminados do escândalo do mensalão). Segundo Jaques Wagner, eleito governador do estado da Bahia pelo PT, e um dos conselheiros mais próximos de Lula, os envolvidos "terão de pagar". "Não quero saber se era amigo, se era homem de confiança, o que era. Quem estiver fora da conduta cai fora. [...]Essas pessoas terão de pagar pelo que fizeram e por mais um prejuízo à imagem do partido", disse. Entre os possíveis expulsos estão amigos de longa data de Lula, como Jorge Lorenzetti, conhecido como "o churrasqueiro do presidente" e Oswaldo Bargas. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o candidato ao governo de S. Paulo do PT, Aloísio Mercadante, que sabiam das negociações, não deverão, porém ser expulsos. Há no entanto pressões para que Berzoini renuncie à presidência do PT, certamente o cargo mais instável da vida partidária brasileira.