Eleições no Brasil

02 de outubro 2006 - 18:42
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LULA RECONHECE ERROS E CULPA PT PELA DERROTA

lulapensat061002aNa primeira reunião de avaliação dos resultados das eleições presidenciais de domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou o PT por não ter conseguido obter a vitória no primeiro turno da eleição que o reconduziria ao Palácio do Planalto. "Estou com a alma machucada e temos de resolver isso para iniciar a campanha do segundo turno. Não é possível que a gente continue convivendo com tanta crise sem fazer nada", afirmou o presidente, segundo o Estado de S. Paulo, referindo-se à sucessão de escândalos que envolveram o PT no último ano. Já a Folha de S. Paulo afirma que Lula reconheceu que errou ao não comparecer ao debate televisivo entre os quatro principais candidatos. Com os resultados praticamente definitivos, Lula, do Partido dos Trabalhadores, obteve 48,61%, seguido de Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com 41,64%, de Heloísa Helena, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com 6,85% e de Cristóvam Buarque, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), com 2,64%.

A candidata à presidência pelo PSOL, senadora Heloísa Helena, disse ontem à noite que o seu partido não apoiará no segundo turno nem Lula nem Alckmin: "Seria rasgar 12 anos de história e confronto político com o projecto neoliberal do PSDB e contra a gangue partidária que virou o governo Lula. Nossos eleitores são homens e mulheres livres. Não precisam da nossa indicação para escolher em quem votar", disse a senadora.

Expulsa do PT em 2003, Heloísa Helena disse que o resultado de ontem foi a vitória do "banditismo político, da roubalheira, da corrupção, de tudo isso que aconteceu no Brasil e é muito triste."

Um primeiro balanço da eleição para a Câmara dos Deputados indica que o voto puniu os envolvidos no escândalo dos sanguessugas (compra sobrefacturada de ambulâncias) e menos os envolvidos no escândalo do mensalão (compta dos votos dos deputados por parte do governo).

Dos 64 deputados e senadores que respondem a inquérito no Supremo Tribunal Federal pelo caso dos sanguessugas e foram candidatos, 56 deles (92,1%) não conseguiram eleger-se e deixaram de ter imunidade parlamentar para responder a prováveis processos judiciais.

Ao contrário dos sanguessugas, a maioria dos deputados acusados de envolvimento com o mensalão teve bom desempenho nas urnas e conseguiu reeleger-se. Dos 12 parlamentares acusados de receber dinheiro e que disputaram a eleição, sete conseguiram assegurar uma vaga de deputado.

Na Câmara dos Deputados, o PMDB passou a ter a maior bancada, com 89 parlamentares eleitos, superando o PT, que ficou com 83 deputados (mesmo assim, dois a mais do que tinha).

Os partidos que apoiam o governo Lula (PT, PL, PP, PSB, PcdoB, PSC, PTB e PTC) somam 223 votos, menos do que a actual bancada de apoio ao governo, que tinha 257 deputados. Se não tiver o apoio do PMDB, o governo não alcança sequer a maioria simples dos deputados.

O PSOL, partido de Heloísa Helena, elegeu três deputados federais.

O ex-presidente Fernando Collor voltou à política e foi eleito senador pelo PRTB em Alagoas. Em entrevista à rádio Jovem Pan, disse que apoia Lula e que esse apoio é a prova cabal de que não guarda nenhuma mágoa nem ressentimento. "O governo Lula tem demonstrado mais acertos do que erros", conclui. Para ele, Lula tem uma grande qualidade: "conhece a alma do povo brasileiro". Por isso, segundo Collor, Lula merece a oportunidade de um segundo mandato para complementar os seus projectos e corrigir o que fez de errado.

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