SANDINISTAS VOLTAM AO PODER
Com 62% das urnas apuradas, Daniel Ortega, candidato da Frente Sandinista de Libertação Nacional, lidera com 38,59%, seguido de Eduardo Montealegre, da Aliança Liberal Nicaraguense (ALN), com 30,94%, de José Rizo, do Partido Liberal Constitucionalista (PLC), com 22,93% e de Edmundo Jarquín, do Movimento de Renovação Sandinista (MRS), com 7,25%.
Para vencer na primeira volta e evitar um segundo turno, Ortega precisa atingir os 40% ou ter uma vantagem de cinco pontos sobre o segundo classificado. Segundo o diário La Prensa, a tendência de vitória do candidato sandinista é irreversível.
Ortega governou a Nicarágua desde a revolução sandinista de 1979, sendo presidente eleito entre 1985 a 1990. Esta é a sua quinta candidatura presidencial - a primeira foi a que venceu, em 1984, mas perdeu as seguintes, em 1990, 1996 y 2001.
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Durante a campanha eleitoral, o discurso de Ortega deu ênfase à reconciliação, abandonando as políticas que defendia antes. Na véspera das eleições, o parlamento nicaraguense, com os votos dos sandinistas, criminalizou o aborto com até oito anos de prisão. Ortega apoia um pacto de livre comércio com os Estados Unidos e assegura não ter qualquer interesse de entrar em conflito com o velho inimigo.
Os Estados Unidos financiaram a guerrilha "contra", que travou uma guerra sem quartel de quase dez anos contra o governo sandinista e que debilitou ainda mais o já pobre país. Em 1986, a Nicarágua ganhou um processo histórico contra os Estados Unidos no Tribunal Internacional de Justiça, que decidiu que Washington tinha de pagar 12 mil milhões de dólares de reparações. Os EUA recusaram-se a pagar as reparações, mesmo depois da aprovação nesse sentido de uma resolução da Assembleia-geral da ONU.