GUERRA NO IRAQUE AUMENTOU TERRORISMO GLOBAL 
Contradizendo toda a política externa da administração Bush, um relatório confidencial das 16 agências dos serviços secretos norte-americanos diz que a guerra no Iraque aumentou a ameaça do terrorismo internacional e produziu uma nova geração de radicais islâmicos. O relatório é do conhecimento da administração Bush desde Abril, mas só ontem o The New York Times publicou as suas principais conclusões.
A invasão e ocupação do Iraque é a principal razão para a rápida proliferação da ideologia do islamismo mais radical, diz o documento de 30 páginas. Denominado Tendências no terrorismo global: implicações para os Estados Unidos da América, o relatório defende uma revisão imediata das teses defendidas pelas agências secretas dos EUA desde 2003.
Segundo os autores do estudo, algumas das acções do governo norte-americano tiveram uma consequência incendiária na expansão do terrorismo islâmico, como é o caso da detenção indefinida dos detidos de Guantanamo, ou o escândalo das torturas na prisão de Abu Ghraib.
O documento conclui que o movimento islâmico radical se expandiu desde o centro da Al Qaeda para criar novos grupos que, mesmo sendo inspirados na rede de Bin Laden, não têm com ela nenhuma ligação formal. A internet, onde registam actualmente mais de 5000 mil endereços, é apresentada como uma das principais formas de propagação destes grupos e converteu-se na sua melhor forma de esconderijo e difusão da mensagem.
As reacções à notícia do New York Times não se fizeram esperar. O líder da maioria republicana do Senado, Bill Frist, apesar de reconhecer não ter lido o relatório, afirmou ontem na estação televisiva ABC que os americanos entendem que as suas tropas devem continuar no Iraque, repetindo uma velha teoria de Bush. "Ou ganhamos esta batalha no exterior ou teremos que a ganhar em casa”.
Há duas semanas, no seu discurso por ocasião dos cinco anos do 11 de Setembro , George Bush repetiu mais uma vez que “o mundo é um lugar mais seguro, porque Saddam Hussein já não está no poder”.