GOLPE DE ESTADO MILITAR DERRUBA PRIMEIRO-MINISTRO
As forças armadas tailandesas derrubaram o primeiro-ministro, aproveitando a sua presença fora do país na Assembleia-Geral das Nações Unidas. O comandante em chefe das forças armadas, general Sonthi Boonyaratglin que encabeçou o golpe, anunciou na televisão que "o governo será devolvido ao povo o mais depressa possível".
O general Sonthi Boonyaratglin declarou que o golpe de Estado era necessário para defender a unidade da Tailândia e acrescentou que os militares não tinham a intenção de se eternizar no poder. Confirmou que os militares suspenderam a Constituição, o Senado, a Câmara de representantes e o Tribunal constitucional e afirmou: "o primeiro-ministro estava a provocar uma clivagem sem precedentes na sociedade, uma corrupção alargada, nepotismo e ingerência em agências independentes que já não funcionavam". Disse ainda que "Eles [o governo] insultaram o rei repetidamente. Por isso o Conselho [dos militares] tomou o poder para controlar a situação, restabelecer a normalidade e criar a unidade no mais breve prazo... Não temos a intenção de governar, queremos devolver o governo ao povo assim que possível".
Os militares, que impuseram o controle dos meios de comunicação, reuniram com o rei Bhumibol Abdulyadej para analisar a constituição do governo que será maioritariamente composto por civis.
O primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que está nos Estados Unidos na Assembleia-Geral das Nações Unidas, primeiro afirmou que iria intervir na Assembleia da ONU, depois anulou o seu discurso e divulgou que irá sair dos EUA, sem se conhecer o seu destino. A delegação do primeiro-ministro não confirmou se ele tinha entrado em contacto com o rei.
A Tailândia vive uma dura crise, com uma crescente oposição ao governo e com escândalos sucessivos envolvendo o primeiro-ministro e a sua família. O rei há algum que tempo que se distanciou do governo.
O golpe de Estado parece ter concitado algum apoio popular, apesar de não se conhecerem manifestações populares significativas.