Citação sobre Maomé

16 de setembro 2006 - 22:07
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PAPA MANDA DIZER QUE ESTÁ DESOLADO

thumb_papabentoxviO Papa Bento XVI fez saber, através do Secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, que está "profundamente desolado que certas passagens do seu discurso tenham podido ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos".Na última terça-feira, na Alemanha, Bento XVI citara o imperador bizantino do século XIV Manuel II Paleólogo em que este afirma que Maomé trouxe ao mundo coisas "más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue". A intervenção provocou uma onda de indignação no mundo muçulmano. Bento XVI tem prevista uma visita à Turquia em Novembro.

Numa primeira reacção às desculpas de Bertone, a Irmandade Muçulmana do Egipto afirmou que não são suficientes. "Achamos que ele cometeu um erro grave contra nós e que este erro só será apagado por um pedido de desculpas pessoal", disse o deputado Mohammed Habib, daquela formação política.

Antes de Bertone ter falado, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que os comentários do Papa foram feios e despropositados e que deviam ser retirados. "O Papa falou mais como um político do que como um homem de religião."

O próprio jornal americano New York Times disse em editorial que o Papa deveria tornar público um pedido de desculpas profundo e persuasivo pela citação usada no seu discurso.

As declarações do Papa Bento XVI sinalizam uma inversão do curso de aproximação entre o Islão e o Cristianismo, empreendido pelo seu antecessor.

O Parlamento paquistanês decidiu que fará um pedido formal ao Papa Bento XVI para que retire as suas declarações. O ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros chegou mesmo a denunciar a "ignorância" do Sumo Pontífice no que toca à religião muçulmana.

Nos últimos dias, houve protestos do Irão, da Malásia, do Egipto, do Paquistão, de Marrocos, do Iraque e das comunidades islàmicas da Alemanha e da Inglaterra. Houve manifestações no Iémen e na Índia.

Assinale-se que cerca de 200 anos de Manuel II Paleólogo, Constantinopla foi destruída e saqueada durante três dias, não pelos muçulmanos, mas sim pelos cristãos da Quarta Cruzada.

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