Presidenciais francesas: Campanha termina com um terço de indecisos

20 de abril 2007 - 11:53
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Foto François Lafite/FlickrNo último dia da campanha para a primeira volta das presidenciais, o grande número de indecisos torna a vida difícil a quem tente prever o resultado de domingo. Os institutos de sondagens apontam a vantagem de Sarkozy (27 a 30%) sobre Ségolène (22,5 a 26%) e Bayrou (18,5 a 20%), mas avisam que é no comportamento do eleitorado deste candidato que pode estar a chave do resultado final. Ao contrário dos eleitores dos dois favoritos, a maioria dos apoiantes de Bayrou diz não ter a certeza de traduzir esse apoio em votos. Nas candidaturas à esquerda do PS, a grande dúvida é saber como resistirão ao apelo do voto útil e se o PCF deixará de liderar a representação deste espaço político. Quanto a Le Pen, as sondagens dão-lhe entre 12,5 e 16%, exactamente o mesmo que lhe davam nesta altura em 2002, a dois dias da eleição que chocou a Europa.

François Bayrou, apresentado pelo partido de direita UDF, acabou por assumir nesta campanha o papel de candidato outsider, atraindo simpatias do eleitorado da direita e da esquerda. Mas apenas 39% destes eleitores estão seguros do seu voto no domingo. As empresas de sondagens põem 19% deles a serem tentados pelo voto em Ségolène, 16 em Sarkozy e, para espanto de muitos, 11% hesitam ainda entre Bayrou e um dos candidatos à esquerda do PS.



Neste quadrante político, todos os candidatos apontam o voto útil como o adversário principal. Apesar da candidata socialista ter feito uma campanha sobretudo dirigida ao centro político, apostando em esvaziar a candidatura de Bayrou, as candidaturas à sua esquerda não conseguiram somar uma dúzia de pontos percentuais (11,5% na sondagem desta quinta-feira). O candidato da LCR, Olivier Besancenot, surge com 5%, o dobro da candidata do PCF Marie-Georges Buffet. Pela Lutte Ouvrière, Arlette Laguiller conseguiu bater o record mundial de candidaturas presidenciais, mas foi regredindo nas sondagens até chegar a 1,5%. Dominique Voynet arrisca-se a levar os Verdes ao último lugar das eleições, se as sondagens se confirmarem. E José Bové está a ver confirmado que o eleitorado francês não partilha da simpatia que o activista alter-globalizador goza fora de portas. O 1,5% que lhe é atribuído nas sondagens fica manifestamente abaixo das suas expectativas, mas só ele e Besancenot apresentam tendência de subida na ponta final da campanha. Ontem, Bové aproveitou o penúltimo dia para se despedir da campanha, numa entrevista ao canal de tv France 2, com um apelo a uma candidatura unitária da LCR e do PCF às legislativas. Um tema que diz ter sentido discutir depois da longa noite do próximo domingo. 

Vê também o dossier presidenciais francesas do esquerda.net 

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