A construção de um muro para separar os bairros maioritariamente sunitas da maioria xiita faz parte da estratégia anunciada por George W. Bush para pacificar a capital iraquiana. Em dois meses de vigência, o plano dos militares norte-americanos tem sido incapaz de evitar os atentados bombistas diários, mas o muro de cinco quilómetros de comprimento e quatro metros de altura está a ser construído dia e noite. Quando estiver concluído, o bairro de Adhmaiyah na margem direita do Tigre ficará isolado do resto da cidade. A notícia surge no dia em que a Amnistia Internacional denunciou que o Iraque é já o quarto país do mundo no que respeita às condenações à morte.
Desde que a pena de morte foi restabelecida pelo novo poder de Bagdad, foram condenadas 270 pessoas, das quais 100 já foram executadas. A prática da emissão de "confissões" na tv terá terminado no fim de 2005, mas muitos dos protagonistas foram mesmo executados ou ainda estão no corredor da morte. Na sua grande maioria, estas confissões serviram posteriormente de prova em tribunal, sem uma investigação suficiente, acusa a Amnistia Internacional.
A construção de muros e barreiras não é novidade para os habitantes de Bagdade desde a invasão das tropas dos EUA. Alguns mercados e sobretudo a chamada "zona verde", onde se concentra o poder político e a logística das tropas ocupantes, têm construído barreiras de protecção contra atentados. Mas é a primeira vez que se tenta dividir os habitantes por comunidades religiosas através duma barreira deste tipo.
Os militares norte-americanos dizem agora que o muro vai facilitar bastante o controlo das entradas e saídas da zona de Adhmaiyah, evitando assim a entrada de milícias xiitas para atacar a comunidade que ali vive. Mas estas intenções contrariam as palavras do porta-voz das tropas norte-americanas no Iraque, o general William Caldwell. Ainda na quarta-feira, este responsável afirmou desconhecer qualquer plano para construir um muro para dividir xiitas e sunitas. "O nosso objectivo é unir Bagdad e não subdividir a cidade em enclaves separados", afirmou Caldwell, reconhecendo no entanto a instalação em vários pontos da capital de mais de 3000 secções de betão resistente ao impacto das explosões nos últimos dois meses.
Por entre as contradições no comando militar dos EUA, está previsto que o muro esteja totalmente construído já no próximo mês. As fotos da construção estão aqui.