Sarkozy prepara governo e eleições legislativas

07 de maio 2007 - 19:36
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SarkozyNicolas Sarkozy, que no discurso de vitória sublinhou querer "reabilitar o trabalho, a autoridade, a moral, o respeito, o mérito", deve tomar posse a 16 de Maio. François Fillon, autor do programa apresentado por Sarkozy e seu assessor político, deverá ser o primeiro-ministro escolhido pelo presidente eleito no Domingo.

Na segunda volta, Sarkozy obteve quase 19 milhões de votos, a maior votação de sempre nas presidenciais francesas (se exceptuarmos a segunda volta de 2002 quando Chirac obteve 25,5 milhões de votos e 82% contra Le Pen), mais 3,2 milhões do que obteve Chirac em 1995 e mais 2,2 milhões que Mitterrand em 1988.

Sarkozy ganhou em 16, das 22 regiões metropolitanas, e em 72, dos 105 departamentos ou territórios. A deslocação de votos para Sarkozy, abre grandes hipóteses à direita para vencer as próximas eleições legislativas que se realizam a 10 (primeira volta) e 17 (segunda volta) de Junho.

Leia A França depois do 6 de Maio, opinião de Alda Sousa.

O novo presidente, na sua declaração de vitória, apelou aos "Americanos para lhes dizer que podem contar com a nossa amizade" e sublinhou que "uma grande nação como os Estado Unidos tem o dever de não se opor à luta contra o aquecimento global, mas pelo contrário deve encabeçá-la".

Na noite de ontem nos subúrbios de Paris e de outras grandes cidades e provavelmente como reacção à vitória de Sarkozy, foram queimados 367 carros, o que segundo a polícia foi "um pouco mais que a noite de 14 de Julho de 2006 e um pouco menos que um noite de São Silvestre".

No PS após as presidenciais, todos sublinham a necessidade de não iniciar o "ajuste de contas" interno perante a proximidade das legislativas. No entanto, Dominique Strauss-Kahn, que foi derrotado nas primárias do PS por Ségolène, sublinhou que o PS não se soube "renovar" nos últimos cinco anos, sob a direcção de François Hollande, nem soube construir uma "esquerda moderna". Por seu lado, Laurent Fabius, outro derrotado por Ségolène nas primárias, apelou a que não comece o "ajuste de contas", considerou indispensável que a esquerda se una e que "não hesite na estratégia".

A candidata do PCF, Marie-Georges Buffet, que na primeira volta teve a mais baixa votação de sempre do PCF, considerou que a vitória de Sarkozy "constitui uma verdadeira catástrofe política", apelou a "um sobressalto das forças vivas da esquerda para fazer das eleições legislativas uma reacção à derrota muito pesada que acabámos de sofrer" e apelou às eleitoras e aos eleitores a que elejam "muitos deputados apresentados ou apoiados pelo PCF".

Dominique Voynet, a candidata dos Verdes, considerou que a vitória de Sarkozy não é uma boa notícia para os jovens dos subúrbios, para os precários e "de forma geral para os mais modestos", assim como "não é uma boa notícia para o planeta". Apela a que os ecologistas não baixem os braços e aos cidadãos a que elejam deputados Verdes nas legislativas.

A direcção de campanha de José Bové considerou que "a fraqueza da votação em Ségolène Royal demonstra como é errada a estratégia de um PS virado para os apelos centristas com um projecto político social-liberal" e fez um apelo: "Face ao poder brutal que ocupará o Eliseu, apelamos a todas as formações e todas as correntes da esquerda anti-liberal a que façam prova de responsabilidade trabalhando, nos próximos dias, para uma frente comum nas legislativas".

Olivier Besancenot, o candidato mais votado à esquerda do PS na primeira volta, declarou que a LCR "propõe que, face ao programa ultraliberal e ultra-securitário de Sarkozy, seja imediatamente construída uma frente unitária de todas as forças sociais e democráticas para organizar a resistência" e que "tomará todas as iniciativas neste sentido nos próximos dias".

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