A energética alemã E.ON, candidata à compra da EDP prepara-se para dispensar 11 mil dos seus 80 mil funcionários a nível mundial. Só na Alemanha a E.ON prescindirá de seis mil trabalhadores, cerca de três mil através da pré-reforma, confirmou, esta segunda-feira, um porta-voz da empresa.
Os negócios da E.ON foram alegadamente afetados pela decisão do governo alemão de encerrar todas as centrais nucleares até 2022, e também porque as suas apostas no sector do gás natural não têm dado o rendimento previsto.
Entretanto, a maior energética alemã tenciona apostar mais nas energias renováveis e fez uma oferta vinculativa para compra da participação do Estado português na EDP, noticiou o Der Spiegel. Com a aquisição da EDP, o gigante alemão podia tornar-se líder do mercado mundial no sector das renováveis.
A mesma publicação refere que, em reunião realizada na quinta-feira, o conselho fiscal da E.ON deu "luz verde" ao presidente executivo, Theyssen, para avançar com a operação, que consiste na compra a Portugal da sua quota de 21,35% na EDP.
Merkel falou com Passos sobre benefícios da oferta da E.ON pela EDP
O Governo alemão está a apoiar a E.ON na privatização da Energias de Portugal, sendo que Angela Merkel manteve recentemente uma conversa com o primeiro-ministro de Portugal, onde terá destacado os benefícios da oferta da empresa alemã, avança o “Financial Times”.
O jornal britânico adianta que a oferta da E.ON está a ser apoiada pelo Governo de Angela Merkel, o que pode ser visto como uma tentativa de Berlim beneficiar com o programa de austeridade que está a ser implementado em Portugal.
Privatização da EDP: 600 milhões como prestação inicial
O Ministério da Finanças fixou em 600 milhões de euros o montante da prestação pecuniária inicial a efetuar pelo grupo escolhido para ficar com os 21,35% da EDP que o Estado está a alienar.
Os quatro interessados na EDP entregaram sexta-feira passada as suas propostas, que oscilam entre os 2,3 e os 2,7 mil milhões de euros. O governo português reduziu recentemente a quatro os candidatos à compra da referida quota, dando também preferência aos alemães. Além da E.ON, os outros candidatos escolhidos foram as brasileiras Electrobras e Cemig e a chinesa Three Gorges.
Segundo o Minsitro das Finanças Vítor Gaspar, o governo tenciona concluir o processo de privatização da EDP, incluído nas medidas de ajustamento orçamental negociadas com a troika, até Janeiro do próximo ano.
Pelo caminho ficaram a indiana Birla, por não satisfazer as condições do governo societário nem o preço, e a japonesa Marubeni devido a uma avaliação menos satisfatória do projeto estratégico.