De acordo com o estudo "Divided We Stand: Why Inequality Keeps Rising", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o fosso entre ricos e pobres atingiu o nível mais elevado dos últimos 30 anos. De acordo com vários indicadores, Portugal continua a ser um dos países mais desiguais do mundo desenvolvido: 20 por cento dos mais ricos têm rendimentos seis vezes superiores (6,1) aos dos 20 por cento mais pobres.
A desigualdade em Portugal mantém-se assim entre as mais elevadas deste grupo, na sexta posição quando considerada a diferença entre os rendimentos dos mais ricos e dos mais pobres, que é de 6,1 vezes – face a 5,4 vezes para o conjunto dos seus 34 membros.
Em Portugal, os rendimentos dos 10 por cento mais ricos cresceram a uma média anual de 1,1 por cento entre meados da década de 1980 e finais da década passada, enquanto no caso dos 10 por cento mais pobres cresceu 3,6 por cento. Para o total da população, o crescimento médio anual foi de 2 por cento.
No conjunto da OCDE, o crescimento do rendimento dos 10 por cento mais ricos foi de 1,9 por cento ao ano, face a 1,3 por cento para os 10 por cento mais pobres.
O relatório, que compara dados de 1985 com dados de 2008, nota que a desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, diminuiu na Turquia e na Grécia, manteve-se na França, Bélgica e Hungria e aumentou nos restantes países para os quais há dados deste período.
As maiores desigualdades, considerando esta medida, registam-se no Chile e no México, onde os 10 por cento mais ricos tinham rendimentos superiores a 25 vezes os dos 10 por cento mais pobres, seguidos da Turquia e dos EUA, onde a diferença era superior a 14 para 1, e de Israel, Grã-Bretanha e Portugal, com 13,4, 11,7 e 10,3.
Nos últimos anos, o fosso entre ricos e pobres também cresceu nos países considerados mais igualitários como a Suécia, Alemanha e a Dinamarca, revela o estudo da OCDE.