As várias áreas viram-se representadas numa mesa que reuniu Luís Urbano (Cinema), Rui Orta (Dança), Tiago Rodrigues (Teatro) e Ada Pereira da Silva (Associação Plateia).
Os 450 lugares da sala estavam ocupados, havendo quem não tivesse alternativa a sentar-se no chão ou assistir em pé à discussão que ali teve lugar.
Da reunião saiu um documento exigindo “a revogação imediata do artigo 49.º do decreto-lei 72-A, e da cativação de 20% das verbas do Ministério da Cultura” e “com a consequente revogação em 10% sobre os contratos em curso ou a realizar durante o corrente ano, bem como do orçamento de direcções gerais e institutos do Ministério da Cultura”.
Depois das primeiras subscrições, a petição ficará estará disponível para subscrição na internet, ainda esta terça-feira.
Os profissionais dos diferentes sectores alertam para o facto de que “os cortes que o Governo agora pretende fazer terão consequências dramáticas para os projectos actualmente em curso, com a sua paralisação e consequente fecho de empresas, estruturas e desemprego entre os trabalhadores sem protecção social”.
Os cortes – acrescenta o texto citado pela Lusa – desencorajam os criadores culturais e artísticos.
No documento proposto consta também, para além da revogação da cativação de verbas, a exigência de que o Estado Português "assuma de forma clara o direito à cultura e o investimento na Cultura e nas Artes".
A petição refere que “a situação atingiu uma tal degradação que o próprio primeiro-ministro o reconheceu na última campanha eleitoral, comprometendo-se a que na actual legislatura o sector da Cultura seria prioritário”.
Nesta reunião estiveram representados a Plataforma do Teatro, a Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénica, a Plataforma de Cinema, a REDE-Dança, “havendo outras estruturas que deram já o seu apoio e pretendem aderir”, disse Tiago Rodrigues. Estiveram também presentes profissionais da Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual.
No Maria Matos esteve também a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins, que já questionou o Ministério da Cultura (MC) sobre se este irá cumprir os compromissos assumidos. A deputada lembra que “no sector cultural foi opção dos diversos governos entregar a prossecução do interesse público a entidades independentes, financiadas pelo Estado através de concursos e protocolos de financiamento”.
Segundo o actor Tiago Rodrigues (Plataforma do Teatro), “esta união é inédita no sector cultural”, demonstrando que “sabemos viver em democracia e defendê-la”.
Tiago Rodrigues considera os cortes mais não são do que "um desinvestimento” numa área que “há décadas sabe o que é austeridade” e recusou a ideia do sector “subsídio-dependente”, pois “muitos dos agentes culturais e atores, e criadores investem para financiarem um serviço público”.
“Já vivemos em austeridade há décadas, e esta quantia que a ministra [da Cultura] afirma que é pouca, condena todo um sector cultural e muitos projectos culturais. A própria ministra Gabriela Canavilhas assume que os ganhos são muito poucos e as quantias muito pequenas. Sendo assim, o corte é ineficaz pois não ajuda assim tanto ao défice e ao combate à despesa pública”.
Além disto, o actor lembrou que estas medidas “irão colocar no desemprego milhares de trabalhadores, a maioria sem protecção social”.
Os realizadores Fernando Lopes e Diogo Varela, os actores João Wallenstein, Maria do Céu Guerra, Carla Bolito, Paula Guedes, o encenador João Mota, eram alguns dos participantes.